Geraldo Vandré: “Não há nada mais subversivo para a cultura de massa do que o ser nacional”

Postado: 16-06-2012
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Geraldo Vandré, compositor pessonse

Por Wellington Farias
Muita coisa mudou na vida do compositor Geraldo Vandré, desde os tumultuados anos 60, além da idade e da farta cabeleira prateada. Vandré reafirma, entretanto, que os seus ideais permanecem “intactos”.
O autor de Pra não dizer que não falei de flores (Caminhando) avalia que houve muitos equívocos a seu respeito ao se referir àquilo que chama de “mistificação e contradições que criaram em torno da personalidade pública Geraldo Vandré”. O compositor garante: os motivos que o inspiraram para compor a lendária Caminhando, transformada em hino de resistência à ditadura militar, foram “os mesmos” que o inspiraram para compor Fabiana, outra canção de sua autoria, só que de louvor à Força Aérea Brasileira (FAB). Nesta entrevista, realizada no início da década de 90, Vandré revela – pela primeira vez – que está compondo Fabiana, em homenagem à Força Aérea Brasileira (Fab) e solfeja um pequeno trecho.
Vandré foi personagem central de histórico encontro que reuniu alguns monstros sagrados da música da Paraíba, no final de dezembro de 1991, numa casa de veraneio, em Areia Dourada, litoral de João Pessoa, na Paraíba. Ali, para a surpresa de todos, Vandré participou e falou, como não fizera havia anos.
Fez mistério sobre o seu possível retorno aos palcos e ainda avaliou os célebres festivais de música brasileira; relembrou o show que fez em Puerto Strossner, no Paraguai, e desconversou quando o assunto foi a assessoria que, àquela época, prestava ao então governador da Paraíba, Ronaldo Cunha Lima. A entrevista que se segue contou com a participação do cantor e compositor Zé Ramalho.

Zé Ramalho – Durante muito tempo você tem se mantido isolado, enclausurado, sem relacionar com os colegas artistas. Por que?

Geraldo Vandré – Pelo contrário, eu ando na rua como uma pessoa comum. A maioria das pessoas que chegaram a um certo destaque, as chamadas personalidades públicas, não fazem isso. Eu sou dos menos isolados. Quando não estou produzindo estou aqui conversando com você.

Wellington Farias – O que representa para você um encontro como este, ao lado de conterrâneos como Zé Ramalho, Vital Farias, Sivuca, Glorinha Gadelha e Livardo Alves?

Geraldo Vandré – Primeiro… (faz pausa para uma breve meditação) A canção de Zé Ramalho… Zé Ramalho em alguns momentos ele chega muito perto de mim. Uma pessoa muito forte, talentosa. Uma das pessoas mais importantes e talentosas que apareceram nos últimos tempos na música popular brasileira. Todo encontro entre músicos, entre essa gente é uma coisa não só necessária, mas difícil de acontecer, hoje em dia. O que falta, um dos grandes problemas da cultura é a falta de encontro entre pessoas assim – pessoas que fazem arte. Isso ocorria há 20 ou 30 anos. Era costumeiro. Hoje, é muito raro você se encontrar assim, para falar, conversar. Um encontro onde artistas falam, trocam idéias.

Zé Ramalho – Por que isso não ocorre mais, hoje em dia?

Geraldo Vandré – O processo de “coisificação” das personalidades separa as pessoas. Para você compreender melhor: há 30 anos, haver-se-ia que se encontrar uma forma de reproduzir essas formas de encontro o mais constantemente possível.
Porque o que existe, a rigor, é um grande isolamento entre todos nós. Esse isolamento provém do processo de massificação, que transformou os veículos de comunicação, as estações de rádio e de televisão, no Brasil, em máquinas de repetição de Vts e gravações.
Eu me recordo muito bem que, quando cheguei em São Paulo, em 1961, havia três estações de televisão. Cada uma delas tinha uma orquestra própria com músicos contratados; cada orquestra tinha seus cantores, rádio-atores. Havia garotas-propaganda. Existia um universo em que as pessoas se encontravam em reuniões de criatividade. Hoje, as TVs estão transformadas em casas de máquinas com um operador de som e um pistoleiro na porta. É a liquidação da cultura, mesmo!!!

Zé Ramalho – Esse encontro de hoje para significar um retorno seu ao convívio com os colegas artistas da Paraíba?

Geraldo Vandré – Pode significar tudo. Mas o meu empenho fundamental, na Paraíba, se dirige a uma proposta, nesse instante, não somente aqui, como também em São Paulo. Todos os meus projetos se resumem a uma principalidade do ponto de vista musical, que é a música erudita. O que falta ao Brasil é erudição nacional.

Zé Ramalho – Você pretendia fazer um trabalho com a Orquestra Sinfônica da Paraíba. Como está isso aí?
Momento do encontro de confraternização de artistas paraibanos. Da esquerda para a direita: uma convidada, o compositor Livardo Alves, o crítico de música Ricardo Anísio, e o compositor Geraldo Vandré concedendo entrevista a Wellington Farias

Geraldo Vandré – Isso é um projeto. Mas não consegui ouvir a orquestra, ainda. Fala-se muito nessa orquestra mas, sinceramente, ainda não ouvi o som dela. Há mais de três anos que tenho vindo freqüentemente à Paraíba e não vejo essa orquestra se reunir. Não existe possibilidade de se trabalhar uma peça sinfônica sem orquestra. Inclusive a proposta que tenho só pode ser colocada a partir de uma determinada orquestra, e não de qualquer uma.
Muito ao contrário do que se faz até hoje, em que as orquestras todas são orquestras que se empenham em executar melhor um mesmo repertório, todo estrangeiro. Diz-se que essa orquestra é melhor do que aquela. Por que se colocam esses parâmetros de comparação? Porque o repertório delas é o mesmo. Um repertório todo estrangeiro, inclusive.
Esse é um problema muito sério.
Não existe repertório nacional. Acho que a proposta não é ser a melhor orquestra. Acho que o caminho da cultura não é ser o melhor; o caminho da cultura é ser única. Quer dizer: o mais importante para mim não é escrever uma peça que possa ser tocada por qualquer orquestra do mundo; que faça sucesso com a Orquestra de Boston, Orquestra de Berlim.
A proposta não é ser a melhor orquestra. O importante é um tipo de obra que represente uma sociedade determinada; determinadas pessoas que se reúnem em torno daquilo, com características próprias, de forma que, muito dificilmente, outra orquestra qualquer possa fazê-lo, muito embora a concepção do sucesso, da massificação seja exatamente o contrário.

Wellington Farias – Essa sua incursão pela música erudita determina uma ruptura com a música popular?

Geraldo Vandré – Não pode haver, da minha parte, ruptura com a cultura popular. Porque a cultura popular é a base de tudo. É da cultura popular que resultam as formas eruditizadas.
Só que você tem a obrigação de melhorar as formas daquilo tudo que você faz. Na medida em que há dedicação às formas populares, em profundidade, você chega indiscutivelmente à erudição.
Agora, cultura popular não existe mais no Brasil. Existe cultura de massa. Isso é terrível, mas é verdade.

Wellington Farias – Como você avalia, hoje, a importância dos festivais de música dos anos 60, tanto do ponto de vista musical quanto do ponto de vista político?

Geraldo Vandré – Aquele era um momento de grande efervescência, de grande criatividade. A arte verdadeiramente dita é sempre uma alternativa de identidade nacional.
Toda manifestação artística, toda obra de arte, existe neste sentido: como alternativa de identidade nacional, ou seja: se não existe sentimento, pensamento e orgulho nacionais, não existe arte.
A arte é coisa de determinadas pessoas, num determinado tempo, com características próprias. O mais é coisa amorfa, que é igual aqui e na Conchichina. E a cultura de massa, para castrar e calar tudo. Não há mais nada mais subversivo para a cultura de massa do que o ser nacional.

Zé Ramalho – Você ainda está estudando aviação?

Geraldo Vandré – Em São Paulo eu passo a maior parte do tempo estudando aviação. Desde pequeno que tenho essa loucura por aviação. E, de 1981 para cá, tenho me dedicado grande parte do meu tempo, bastante tempo a isso.

Zé Ramalho – Mas você busca compreender a parte teórica; busca entender-se de Ministério da Aeronáutica? Como é esse seu estudo?

Geraldo Vandré – Pilotar, não. Não sou piloto, sou aviador. Minha concepção é de que você precisa conhecer a máquina, ser piloto de uma máquina determinada.
Acredito, até, que para ser piloto também é preciso conhecer a máquina. Comecei fazer um brevê no Aeroclube de São Paulo, mas parei. Mergulhei fundo na Força Aérea, em prevenção de acidentes.
Passei dois anos ao lado de um diretor de hospital da Força Aérea, em São Paulo, na Divisão de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica. Fiz aprofundamentos no assunto.

Zé Ramalho – Já sofreu algum acidente?

Geraldo Vandré – Não. Só prevenção contra acidentes. Fiz aprofundamentos. Descobri coisas que só se descobre na Força Aérea. Não existe, por exemplo, nenhuma escola de aviação civil.
Existe a escola da Força Aérea. E o bloqueio é tão grande que eu, com formação de escola pública, não me dava conta disso.

Zé Ramalho – Qual o seu objetivo com esses conhecimentos?

Geraldo Vandré – Primeiro, aprimorar-me. Descobrir coisas novas. A descoberta principal é que, em relação à projeção da personalidade pública Geraldo Vandré, e daquelas contradições todas que se criaram, das especulações dentro desse processo de clandestinização da cultura nacional, eu me dei conta, depois de 20 anos daquela história de P’ra Não Dizer Que Não Falei de Flores (Caminhando), de que os interesses empenhados na clandestinização da cultura brasileira, no território brasileiro, primeiro que tudo não são interesses nacionais, são interesses estrangeiros, alienígenas.
E, através do processo de massificação, a substituição da cultura popular pela cultura de massa, “eles” conseguiram urdir um planejamento muito bem elaborado, muito bem executado, de tal forma que as poucas resistências que subsistem no Brasil, em relação a esse processo, elas estão convencidas, as consciências resistentes, as poucas que existem, estão convencidas de que a responsabilidade desse processo de clandestinização é das Forças Armadas Brasileiras.
Então quer dizer: “eles” armaram, aprontaram tudo, para jogar a nação contra as suas Forças Armadas (rindo com declarada ironia). Mas aí você só se dá conta… Quando mergulha lá dentro e conhece, e vê muita coisa que de fora não dá para ver.

Zé Ramalho – Você vai fundo, aí, não! Vai prosseguir?

Geraldo Vandré – Sempre! Inclusive porque determinada alternativas do conhecimento não existem fora desse caminho, não. De jeito nenhum.

Zé Ramalho – Você pretende fazer uma pregação sobre isso?

Geraldo Vandré – Não. eu apenas escrevi uma canção. Escrevi muitas canções. E dentre várias que compus, há uma que estou preparando o lançamento. É uma canção que se chama Fabiana.
Ainda é assim: você projeta muitas coisas, faz muitas coisas, mas você precisa escolher uma canção e se dedicar àquela canção. Vem ainda de 1985, uma época em que eu estava no Hospital da Aeronáutica, em São Paulo.
A compus no Dia do Aviador, em 1985 e, portanto, ela já vai fazer seis anos. Foi feita em homenagem à Força Aérea e, por isso, se chama Fabiana, que vem de FAB – Força Aérea Brasileira. É uma canção em decassílabos.

Wellington Farias – Como é a letra dessa canção?

Geraldo Vandré – (Vandré recita solenemente algumas estrofes de Fabiana que já tinha composto àquela altura), para dizer: As palavras já são muito limitadas.
O cantar para mim tem, naturalmente, o seu valor poético, o valor da emoção. Mas, artisticamente, tem um valor irrecusável. Um valor irrecusável da arte, da poesia. Porém, para mim a música propriamente dita já foi para um nível em que são, em primeiro lugar, ritmos do coração.
A maioria das pessoas não se dedica a isso, a esse estudo das pulsações. Nem mesmo a medicina convencional. Eu encontrei a possibilidade de estudar tudo isso na Força Aérea.

Zé Ramalho – Você pretende divulgar essa canção; cantá-la para as pessoas ouvirem?

Geraldo Vandré – Primeiro que tudo estou escolhendo a vestimenta da canção. Acho que ela deve se inserir dentro do contexto de uma obra sinfônica; talvez um poema sinfônico.

Zé Ramalho – Mas ela é tão densa assim. Alça vôo para isso? Quem sabe isso não termina numa espécie de opereta?!

Geraldo Vandré – Não, não, não! Opereta, não! Não vou muito por aí. Eu fico na sinfonia mesmo. É uma canção popular. Opereta já é, digamos, uma impostação do popular. E eu não vou muito por aí, não.
Nada operístico. Para mim, basta a música instrumental mesmo, sinfônica. Os níveis de abstrações são muito maiores.

Wellington Farias – Qual é o grau do seu conhecimento da parte teórica da música, e qual é a sua relação com a música erudita, para que você tenha condições de trabalhar uma peça nesse nível?

Geraldo Vandré – Veja bem: erudição tem um significado. Você chega à erudição através de um aprimoramento. Basta que uma determinada forma de cultura se aprimore, se refine, chegue aos níveis mais elevados da capacidade de abstração humana para chegar à erudição; passa a ser até ciência.
A diferença fundamental entre a arte erudita e a arte popular é que uma é mais cuidada, mais refinada e aprimorada, do que a outra. Mas uma diz respeito a outra. Você não pode ter erudição nem chegar a formas artísticas eruditas se você não tem cultura popular. Isso é evidente.
Esse trabalho, a minha programação, o meu projeto só será possível realizar quando se definir um grupo de trabalho, o núcleo de músicos.
Eu não acredito na composição de escrita, das bolinhas (notas musicais dispostas em pautas). Acho que isso é muito bom para os editores, para vender papel. Para vender papel é muito bom.

Wellington Farias – Os motivos que lhe inspiraram para compor aquelas canções dos anos 60, dentre elas P’ra não dizer que não falei de flores (Caminhando…) provavelmente não são os mesmos que hoje inspiraram Fabiana, não é isso?..

Geraldo Vandré – São as mesmas razões, os mesmos motivos e as mesmas inspirações. Não há diferença nenhuma.

Zé Ramalho – É natural que você deseja tornar publico esse trabalho novo. Quando será mesmo o lançamento de Fabiana?

Geraldo Vandré – Só vai ser possível quando se definir um grupo de trabalho, um núcleo de músicos.

Wellington Farias – Você já iniciou os contatos neste sentido, já pensa em quem poderá participar do projeto?

Geraldo Vandré – Hoje faço uma diferença muito grande entre profissionais e especialistas. Você se dedica a uma determinada atividade e, muitas vezes, é preciso não ser profissional para poder se dedicar a uma atividade mais profundamente.
Porque no momento em que você se profissionaliza passa a depender de injunções de mercado, dos limites do que está se fazendo – você não pode fazer além disto. Portanto, não se pode ir mais além.
A música para mim hoje já é a minha fisiologia mesmo. Já é neurocardiologia.

Wellington Farias – Seria Fabiana uma razão suficiente para você retornar aos palcos?

Geraldo Vandré – Muito pelo contrário, pelo menos por enquanto. Ela é uma razão para eu me afastar ainda mais. Para isso seria preciso haver um espaço e tempo em que determinadas pessoas se reúnem e façam isso.
Isso jamais vai ser resultado de uma atividade individualmente minha. Do contrário seria eu me deixar de me servir da música para mim mesmo. Eu me sirvo da música, hoje, para regular os ritmos do meu coração. Mas isso aí faço comigo mesmo, fazendo escala no piano, é outra história.
Quando você chega a isso, de uma certa forma, a música deixa de ser primeiro arte e passa a ser primeiro ciência, mesmo. Isso é altamente problemático, porque você, a rigor, vai deixando de ser artista e vai virando cientista… (risos) E aí você começa a se ocupar de conhecimentos que são inúteis para a maioria das pessoas.

Wellington Farias – Mas você, mesmo involuntariamente, cria uma expectativa nacional em torno de Fabiana…

Geraldo Vandré – Vai depender das formas de organização social, empresarial. Enquanto não existir uma empresa capaz de sustentar um projeto desse, o projeto não vai existir. Nesse instante eu estou na Paraíba também a convite do governador Ronaldo Cunha Lima, prestando uma assessoria a ele. E o principal que tenho em mente é oferecer este projeto.

Wellington Farias – A propósito de Ronaldo Cunha Lima, você tem sido cobrado, patrulhado por estar prestando esse assessoramento?

Geraldo Vandré – Vou lhe dizer uma coisa: a maioria das pessoas, inclusive da crítica e os que fazem projeção da imagem… a projeção da personalidade pública Geraldo Vandré está muito relacionada com este processo de clandestinização da cultura nacional, que funciona em termos de exploração dos contingentes mórbidos da população, do proibido.
Toda essa massificação que existiu e se fundamenta, claro, numa mistificação anterior, que se chama de “canção de protesto”.
Acho que protesto, a capacidade e a necessidade de protestar, decorre de uma situação própria de pessoas que não conhecem o poder.
A arte, propriamente dita, acho que é um exercício de poder. Eu sempre pensei dessa forma.

Wellington Farias – Com a redemocratização do País…

Geraldo Vandré – (interrompendo a pergunta) Eu estava anteontem cortando o cabelo no Salão João da Mata, que freqüento desde pequeno, e havia uma conversa pregando que democracia é o governo da maioria.
Aí fiquei pensando: mas a maioria não tem nem teve tempo de se ocupar das coisas de que eu me ocupei; eu acho que não sou democrata… (rindo com ironia) Então, acho que não sou democrata (risos). Governo da maioria nem sempre é democracia…

Zé Ramalho – E aquela canção que você cantou em Puerto Strossner, no Paraguai? Eu me lembro de sua participação. Tinha um poema que você me pediu para recitar. Você falava em Alemão.
Havia uma moça muito bonita que você levou lá… Você se lembra daquela história? Uma canção que falava: “P’ra onde foram as flores?” Você entrou vestido de soldado…

Geraldo Vandré – …Ah! Deve ser A História do Anjo Azul (Geraldo Vandré solfeja um trecho da melodia tentando lembrar)

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Entrevista realizada em 1991. Foi durante um encontro informal de artistas paraibanos (Zé Ramalho, Vital Farias, Livardo Alves, Geraldo Vandré  e Sivuca) nua casa de veraneio de uma tia de Zé Ramalho. Vandré havia sido convidado, mas ninguém acreditava que ele comprarecesse. De repente Vandré aparece todo vestio de branco.