Episódio em que Caetano chamou Paulo Francis de bicha amarga rendeu polêmica

Postado: 30-07-2013
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Ilustrada - 50 anos de cultura

Ilustrada – 50 anos de cultura

“Agora o Francis me desrespeitou. Foi desonesto, mau-caráter. É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas”Caetano Veloso, sobre Paulo Francis, em matéria da “Ilustrada” de 1983.

O baiano Caetano Veloso entrevistou o inglês Mick Jagger em 1983 e Paulo Francis não gostou do que viu, muito menos do que ouviu. O jornalista achou que Caetano fez perguntas bestas ao cantor dos Rolling Stones. E que Jagger zombou do cantor brasileiro. Francis escreveu um artigo sobre a entrevista e aí quem não gostou foi Caetano, que respondeu chamando Francis de “bicha amarga” e “mau-caráter”. Arrebatou com a seguinte frase: “Essas bonecas travadas são danadinhas”.

O entrevero entre os dois ganhou as páginas da Ilustrada. Em reportagem, Ruy Castro anunciou, brincalhão: “É a polêmica do século. Ou a deste fim de semana –por aí. A cidade está acompanhando, entre perplexa e apaixonada, a briga entre o jornalista Paulo Francis, correspondente da Folha em Nova York, e o cantor e compositor Caetano Veloso, pelas páginas deste caderno”.

Ruy Castro saiu a perguntar para intelectuais, artistas, jogadores de futebol e a quem mais tivesse algo a dizer: “Quem faz mais a sua cabeça: Paulo Francis ou Caetano Veloso?” O publicitário Washington Olivetto saiu-se com essa: “Que país mais chato este, em que os inteligentes brigam e os burros andam de mãos dadas!”.

Mas de chata a polêmica não teve nada. Leia abaixo trechos do livro “Pós-Tudo – 50 Anos de Cultura na Ilustrada”, da Publifolha, que relembram e explicam o episódio.

Concebido como uma espécie de “livro-documentário”, o volume narra, em registro pop e “cinematográfico”, os 50 anos da Ilustrada, com textos e depoimentos inéditos sobre o caderno e uma antologia de artigos, entrevistas, frases, fotos, ilustrações e quadrinhos publicados entre 1958 e 2008. Conheça o livro.

*

PAJÉ CONTRA PAJÉ

No dia 25 de junho de 1983, Paulo Francis publicou na Ilustrada um texto intitulado “Caetano, pajé doce e maltrapilho”. Era uma referência ao compositor baiano, que havia participado de uma entrevista com Mick Jagger no programa “Conexão Internacional”, da Rede Manchete, conduzido pelo jornalista Roberto D’Ávila, com a participação de Walter Salles atrás das câmeras (ele ainda não se tornara o famoso cineasta de “Central do Brasil”).

D’Ávila convidara Caetano para participar da conversa com o líder dos Rolling Stones. O autor de “Tropicália” era visto por muitos como uma versão brasileira dos grandes astros pop internacionais dos anos 60, com a vantagem de ser também considerado um artista-intelectual.

Para Francis, no entanto, esse status parecia problemático. O colunista elogiava Caetano, considerava-o até melhor do que Jagger como compositor, mas criticava o fato de ele falar “de Pajé contra pajé tudo com autoridade imediatamente consagrada pela imprensa, que é mais deslumbrada do que o público”. Para ele, transformado em “totem”, Caetano teria se apequenado diante de Jagger no “Conexão Internacional”: “É evidente, por exemplo, que Mick Jagger zombou várias vezes de Caetano na entrevista na TV Manchete. O pior momento foi aquele em que Caetano disse que Jagger era tolerante e Jagger disse que era tolerante com latino-americanos (sic), uma humilhação docemente engolida pelo nosso representante no vídeo”.

O colunista também fez reparos a uma pergunta feita por Caetano a Jagger sobre o lugar do rock na história da música. “Essa pergunta simplesmente não se faz em televisão, ou até em jornal. É de um amadorismo total. Só serve para seminários de ‘comunicação’ no interior da Bahia. Não é uma pergunta jornalística. Jagger começou a debochar aí.”

O artigo não provocou uma resposta imediata de Caetano. Ele não enviou ao jornal um artigo, como se poderia supor. Mas, aqui e ali, em entrevistas, foi falando do assunto. Convidado a manifestar-se sobre o caso na coletiva para o show “Uns”, em São Paulo, em outubro de 1983, chamou o jornalista de “bicha amarga”.

Francis retrucou em sua coluna: “Duas sorridentes cascavéis deste caderno me comunicaram hoje que Caetano Veloso me agrediu numa coletiva. Outro tema de debate: cantor de samba fazendo show vale uma coletiva? Por quê? Bem, fiz críticas culturais ao estilo de personalidade de Caetano, o flagelado milionário de ’boutique’, servil como um escravo diante do condescendente Mick Jagger. São críticas, certas ou não, mas culturais. Qual é a resposta de Caetano? Diz que sou uma bicha amarga e recalcada. É puro Brasil. Ao argumento crítico, o insulto pessoal. Mas o insulto é o próprio Caetano. Afinal, o que ele quer dizer é que sexualmente sou igual a ele, e usa isso como insulto.”

A temperatura esquentou e a Ilustrada fez uma enquete sobre quem faria a cabeça dos intelectuais e descolados da época. Francis ou Caetano? O caderno ouviu de José Guilherme Merquior a Casagrande, passando por Henfil e José Arthur Giannotti. Curiosamente, Caio Túlio Costa, que ainda não era ombudsman, mas secretário de Redação da Folha, ficou com Francis. Mais tarde, ele também teria um entrevero com Caetano, ao criticar o filme “Cinema Falado” (1986), lançado pelo compositor.

*

QUEM FAZ MAIS A SUA CABEÇA: PAULO FRANCIS OU CAETANO VELOSO

Por RUY CASTRO
8 de outubro de 1983 – Ilustrada
Com colaboração de Âmbar de Barros

É a polêmica do século. Ou a deste fim de semana -por aí. A cidade está acompanhando, entre perplexa e apaixonada, a briga entre o jornalista Paulo Francis, correspondente da Folha em Nova York, e o cantor e compositor Caetano Veloso, pelas páginas deste caderno. Há algumas semanas, Paulo Francis criticou a entrevista que Caetano realizou com Mick Jagger no programa “Conexão Internacional”, da TV Manchete, classificando de reverente e submissa a postura de Caetano diante do complacente líder dos Stones.

Caetano não gostou e, numa entrevista coletiva nesta terça-feira, rompeu publicamente com Francis, a quem sempre admirou, chamando-o de “bicha amarga” e “boneca travada”. A resposta de Paulo Francis foi publicada na edição de quinta, em que ele devolve a Caetano os epítetos e lamenta que um argumento cultural seja respondido com insultos.

Tsk, tsk. Mas a briga existe e não se fala em outra coisa. Espera-se que ela sirva pelo menos como base de discussão sobre o conceito do intelectual no Brasil, a liberdade de expressão e a maior ou menor qualidade da nossa atual produção artística. Afinal, ambos têm mais do que cacife para isso.

São pessoas corajosas, inteligentes e talentosas. E estão entre os intelectuais e artistas que mais fizeram cabeças neste país nos últimos 20 anos. Quem faz mais a sua cabeça: Paulo Francis ou Caetano Veloso? Esta foi a pergunta que a Folha fez a várias pessoas influentes. Eis as respostas. (E, ah sim, antes que eu me esqueça: nenhum dos dois é bicha.)

AUGUSTO DE CAMPOS, poeta e tradutor: “Não tem dúvida: sou 100% Caetano”.

JÚLIO MEDAGLIA, maestro e um dos inventores do tropicalismo: “Neste momento, Paulo Francis é mais criativo. Ultimamente, Caetano só tem feito boleros”.

DÉCIO PIGNATARI, poeta e professor de literatura: “Os dois fazem igualmente a minha cabeça. Paulo Francis é um homem claramente ideológico e às vezes incursiona no terreno artístico. Caetano é o contrário”.

MINO CARTA, jornalista e editor da revista Senhor: “Com respeito por ambos, nem um nem outro”.

GILBERTO BRAGA, autor de novela “Louco Amor”: “Pela emoção, Caetano. Pela razão, Paulo Francis. Mas, pelo que andam dizendo um do outro, eu poria os dois de castigo durante uma hora”.

CARLOS BRICKMAN, jornalista, editor de economia da Folha: “Entre os dois, graças a Deus fico com Millôr Fernandes”.

HENFIL, cartunista: “Paulo Francis. Pela sabedoria, pelo compromisso com as outras pessoas e pelo seu orgulho de ter sido preso por suas idéias, enquanto Caetano se envergonha disso. Caetano diz que não lê jornais, mas é capaz de citar o dia e a página de qualquer jornal que tenha falado dele, mesmo que seja a ‘Gazeta de Nanuque’. E eu gosto mais da música do Francis”.

BELISA RIBEIRO, apresentadora do programa “Canal Livre”: “Caetano. Porque, por ele, dá para a gente se apaixonar”.

ZÓZIMO BARROZO DO AMARAL, colunista: “Paulo Francis. Eu faço parte da macaquice do auditório dele”.

FÁBIO MAGALHÃES, secretário da Cultura municipal: “Nenhum dos dois”.

JOSÉ ARTHUR GIANNOTTI, filósofo e professor: “Os dois não fazem nem o meu pé, quanto mais a minha cabeça”.

CARLITO MAIA, publicitário: “Quem faz a minha cabeça é o Goulart, que me corta o cabelo”.

FLÁVIO GIKOVATE, psicanalista: “Caetano Veloso. Sem comentários”.

JOÃO CÂNDIDO GALVÃO, jornalista, editor-assistente de Veja: “Paulo Francis, porque é mais paradoxal. Caetano anda muito óbvio”.

SÓCRATES, jogador do Corinthians e da Seleção: “Admiro os dois como profissionais destacados em suas respectivas áreas, mas nenhum deles faz a minha cabeça. Aprecio informações do Paulo Francis, gosto de muitas músicas do Caetano, mas nenhum deles influi na minha maneira de pensar ou agir”.

CASAGRANDE, centroavante do Corinthians: “Caetano Veloso. É um poeta. Gosto também do comportamento dele, que é agressivo com a sociedade. Aliás, como o meu”.

MARÍLIA GABRIELA, apresentadora do programa “TV Mulher”: “Quando eu quero poesia, prefiro Caetano. Quando quero bom jornalismo, prefiro Paulo Francis”.

JOÃO DÓRIA JR., presidente da Paulistur: “Nenhum dos dois. Mas eu prefiro a doçura musical do Caetano à acidez redacional do Paulo Francis”.

ANGELI, cartunista: “Eu misturo os dois. Pego o lado doce do Paulo Francis e o ferino do Caetano”.

GERALDO MAYRINK, jornalista, editor-assistente de IstoÉ: “Paulo Francis – porque, pelo menos, nunca pediu a minha cabeça, como fez o outro. Além disso, Francis se tornou um dos maiores entertainers do nosso show business”.

EDUARDO MASCARENHAS, psicanalista: “Caetano, claro, porque tem mais humor, talento e arte que o sr. Paulo Francis. Caetano já me faz a cabeça há 15 anos. Já o sr. Paulo Francis, no que respeita a subjetividade, é extremamente primário. Mas eu não sei como andam os interiores do sr. Paulo Francis”.

WASHINGTON OLIVETTO, publicitário: “Que país mais chato este, em que os inteligentes brigam e os burros andam de mãos dadas!”.

ANTONIO MASCHIO, ator e proprietário do Spazio Pirandello: “Paulo Francis, sem dúvida. É um homem do mundo. Caetano, quando muito, é um homem do Brasil. Se todas as bichas do Brasil fossem ‘travadas’ como o Paulo Francis, este país estaria muito melhor”.

CLODOVIL, costureiro: “Eu, hein? Nesse angu, eu não me meto!”.

APARÍCIO BASÍLIO DA SILVA, escultor e perfumista: “Paulo Francis. É um conselheiro literário formidável”.

PIETRO MARIA BARDI, diretor do Museu de Arte de São Paulo: “Na minha idéia, é Paulo Francis, hoje o maior, mais atual, mais vivo, mais inteligente e mais inventivo escritor brasileiro”.

TÃO GOMES PINTO, jornalista da Folha: “Caetano Veloso”.

CAIO TÚLIO COSTA, jornalista, secretário da Redação da Folha: “Entre a razão e a emoção, eu fico com Paulo Francis”.

MARTA SUPLICY, sexóloga: “Eu gosto dos dois, mas nenhum faz a minha cabeça”.

TAVARES DE MIRANDA, colunista social da Folha: “Quem faz a minha cabeça é Jesus Cristo”.

RUBENS GERCHMAN, artista plástico: “Paulo Francis. Ele está há anos no centro da ação –sempre no front”.

JOSÉ GUILHERME MERQUIOR, diplomata, ensaísta e acadêmico: “Não gosto da expressão ‘fazer a cabeça’. Acho-a alienada. Quem faz as minhas idéias, com muita dificuldade, sou eu mesmo. Não tenho nada a considerar sobre esses dois personagens”.

THOMAZ FARKAS, produtor cinematográfico e empresário: “Os dois me fazem a cabeça, cada qual do seu jeito”.

HELENA SILVEIRA, jornalista e colunista da Folha: “Quem me faz a cabeça é Anthonio Carlos, meu cabeleireiro. Admiro Paulo Francis como colega, gosto de Caetano com restrições. Guru é coisa que já era”.

JOSÉ ROBERTO AGUILAR, artista plástico: “Caetano é meu amigo, moramos três anos juntos em Londres. Mas o Francis também é genial e seus livros são monumentais. O problema do Francis é que ele é de uma geração que só ouve jazz e música clássica, e passou a largo da geração do rock. Assim, fica reduzindo tudo a uma coisa de ‘lumpenproletariat’. Mas o rock não é só isso. O rock já tem sua literatura e sua cultura”.

CARLOS VOGT, lingüista e professor da Unicamp: “Gosto da música do Caetano e acho divertida a destemperança com que escreve Paulo Francis”.

JOSÉ MIGUEL WISNIK, professor de literatura: “Cada um de nós faz a sua própria cabeça, mas as sete faces do Caetano ressoam mais em mim do que a cabeça de papel do Paulo Francis”.

JULIO BRESSANE, cineasta: “Minha cabeça é feita pelos dois. A região que Caetano ocupa, que é a da poesia e onde habito, é a maior. Mas o Paulo Francis, que é hoje o maior articulista do Brasil, também ocupa uma região imprescindível. Inclusive já começamos a trabalhar juntos numa adaptação para o cinema do seu romance ‘Cabeça de Papel’”.

ZIRALDO, teatrólogo e humorista: “Sou Caetano. Mas não assumo”.

MILLÔR FERNANDES, pensador e humorista: “Olhem, não me meto em briga de baianos”.

(*) Transcrito da Folha Online

 

Pós-Tudo: 50 Anos de Cultura na Ilustrada traça um panorama da história do caderno de cultura da Folha de S.Paulo e dos eventos culturais mais importantes ocorridos nos últimos 50 anos no Brasil. O livro apresenta reportagens, fotos, cartuns, reproduções de páginas do jornal e entrevistas das personalidades mais marcantes no cenário cultural do país. Além de textos históricos, o livro traz entrevistas inéditas com Caetano Veloso, Joyce Pascowitch, Ruy Castro e vários jornalistas que fizeram da “Ilustrada” o caderno de cultura mais importante do país.

Título: Pós-Tudo: 50 Anos de Cultura na Ilustrada
Autor: Marcos Augusto Gonçalves (org.)
Editora: Publifolha
Edição: 1a. edição, 2008
Idioma: Português
Número de páginas: 368 páginas
Formato: 21 cm x 23 cm (largura x altura)
Especificação: Offset 120g/m², 4 x 4 cores, Brochura
Peso: 1148 gramas
ISBN: 978-85-7402-976-4
ISBN-13: 978-85-7402-976-4

Imagem de Ricardo já está atolada no Jampa Digital

Postado: 30-07-2013
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Jampa Digital. Tudo indica que tem mutreta ai

Jampa Digital. Tudo indica que tem mutreta ai

Por Wellington Farias – Os desdobramentos do Escândalo do Jampa Digital, de âmbito nacional, só pioram a situação do governador da Paraíba, Ricardo Coutinho. Novos documentos, de alto teor corrosivo, foram acrescentados ao processo. Tudo com nomes, datas, endereços etc etc  etc. Ta cada vez mais ficando difícil provar a inocência dos acusados. Mas, atenção: ainda é cedo e ninguém foi julgado.

Mas o que piorou mesmo a situação do governador Ricardo Coutinho foi, além da estratégia errada de blindagem de RC, os argumentos falhos. Vejam:

O procurador geral do Estado, Gilberto Carneiro, em entrevista que nos concedeu no Correio Debate, afirmou com todas as letras que, para cumprir o derradeiro prazo estabelecido para concluir a peça, a Polícia Federal encerrou este trabalho de afogadilho, de forma irresponsável. Uma declaração de alto teor de irresponsabilidade, esta do procurador Carneiro.

Contradição
Na mesma entrevista, Gilberto Carneiro disse, no início do programa, que o nome do governador era citado uma única vez no processo. La pro final da entrevista, disse que não tinha visto o processo. Ora, se ele não viu nem leu o processo, como pode garantir que o nome do governador foi citado apenas uma vez?…

E mais: a tão propagada alegação de que o governador Ricardo Coutinho não foi inciado, tem efeito contrário como elemento de defesa. Por que? Porque todo mundo sabe que ele nem nenhum outro gestor poderia ser citado (neste estágio das investigações) na medida em que a lei (imoral, por sinal) lhe garante foro privilegiado. Ricardo, portanto, se tiver que ser indicado ou julgado, será no âmbito do Supremo Tribunal Federal. Ele não poderia ter seu nome citado, agora, jamais. Mas não significa, nem de longe, que seja inocente nesta história…

Desgastado
A imagem de austero, do governador Ricardo Coutinho, que já vinha sofrendo avarias sérias desde quando era prefeito de João Pessoa, sofre um grande golpe agora. Ricardo se prepare para o calvário que vai enfrentar. Ainda mais depois que ele e sua turma, em vez de apoiar as investigações, para provar sua suposta inocência, preferiram atacar o trabalho da Polícia Federal, uma das instituições brasileiras de maior credibilidade.

A Polícia Federal, é bom que se diga, é composta de gente, seres humanos, com corpo, alma e sentimento. E, é claro, deve se empenhar ainda mais, a partir de agora, para mostrar que não estava errada…

Deus queira!!!!

 

Quem é jornalista? Uma pergunta de muitas facetas

Postado: 30-07-2013
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face_jornalistaPor Margaret Sullivan - Por trás de quase todas as correções feitas no NYTimes, há uma história. No caso da correção sobre Alexa O’Brien a história é particularmente interessante.

A correção, que foi feita na edição do dia 26/6, dizia o seguinte:

“Um artigo publicado sobre o papel desempenhado por Julian Assange, cofundador do WikiLeaks, no caso de Edward Snowden, o ex-técnico de informática que vazou detalhes sobre a vigilância da Agência de Segurança Nacional, fez uma citação incompleta de Alexa O’Brien, que acompanhou de perto o caso do soldado Bradley Manning, acusado de entregar documentos militares e diplomáticos ao WikiLeaks. Embora Alexa O’Brien tenha participado de causas ativistas, como Occupy Wall Street, ela também trabalha como jornalista independente, e não apenas como ativista”.

Depois que o artigofoi publicado, Alexa enviou mensagens para a ombudsman do jornal, Margaret Sullivan, e para outras pessoas no NYTimes, enfatizando que é jornalista e deveria ser citada como tal. Margaret passou a mensagem para o responsável pelas correções. O jornal avaliou o caso e decidiu fazer a correção.

Os “corretores do poder”

Mas o fato levanta uma questão muito pertinente no atual momento. Quem – e o que – é um jornalista? Não se trata apenas de semântica.

Há um aspecto legal muito forte nessa discussão. Caso eventualmente seja aprovada uma lei federalque dê cobertura legal a jornalistas que tenham prometido manter em sigilo suas fontes, a quem se aplicará tal lei? Será aplicável apenas às organizações de mídia estabelecidas, ou também a quem é remunerado para coletar notícias? Ou será aplicável a todo mundo que tenha uma página no Facebook?

O assunto fica ainda mais quente no contexto do governo Obama, com os responsáveis por vazamentos sendo processados pela Lei de Espionagem, com o cerco a Julian Assange e o caso do repórter James Rosen, da Fox News, recentemente enquadrado como co-conspirador num caso de vazamento.

Depois, numa abordagem separada, há a questão do respeito profissional mostrado para com pessoas como Alexa ou o colunista Glenn Greenwald, responsável por importantes furos sobre vigilânciagovernamental para o jornal The Guardian nas últimas semanas. Seria Greenwald um “blogueiro”, como um título do NYTimes se referiu a ele recentemente? Esse título encabeçava um perfilno qual não era usada a palavra “jornalista” para descrever o colunista da edição americana do Guardian, cujo site tem sede em Nova York. Na época, a ombudsman escreveu (no Twitter) que achava o título desrespeitoso. É claro que não há problema em alguém ser blogueiro – ela própria é uma. Mas quando um jornal do establishmentusa esse termo, de certa maneira parece dizer “você não é exatamente um de nós”. (E isso poderia até ser aplicável a Glenn Greenwald, que já escreveu com desprezo sobre pessoas da mídia, que ele chama “corretores do poder”.)

Contestação entre governo e imprensa

Bruce Headlam, editor responsável pela cobertura da mídia no NYTimese que foi voz importante na decisão sobre a correção em relação a Alexa, avaliou a questão. “Não considero ‘blogueiro’ um insulto e também não considero ‘ativista’ um insulto”, disse ele. “Mas eu poderia representar a minoria” nessas questões. Ele também destacou, e com razão, que essas questões ganharam um novo significado no clima atual e poderiam ser cruciais para Greenwald. (Atacado, o governo Obama disse recentemente que não irá perseguir jornalistas por fazerem seu trabalho.)

Por outro lado, mas no mesmo contexto, as credenciais jornalísticas de pelo menos um apresentador de uma emissora importante foram questionadas semana passada. Escrevendo sobre David Gregory, âncora do programa Meet the Press, da NBC, Frank Rich bateu duro(como fizeram muitos outros) por ele ter perguntado a Greenwald se ele “não deveria ser acusado de um crime” na medida em que “ajudou e instigou” Edward Snowden, o autor do vazamento sobre a Agência de Segurança Nacional. Num texto de uma revista de Nova York, Rich escreveu: “David Gregory é jornalista? Só como experiência, cite uma notícia importante que ele tenha dado, uma reportagem que ele tenha levantado com distinção, alguma entrevista memorável que ele tenha conduzido e que não tenha sido com John McCain, Lindsey Graham, Dick Durbin ou Chuck Schumer.”

Portanto, quem é jornalista? Margaret poderia explorar os aspectos legislativos e legais e talvez valha a pena voltar a esse assunto. (Decisões tomadas a partir da interpretação da legislação do estado de Nova Jersey são particularmente interessantes, assim como a linguagem a usar diante do Senado, de acordo com a atual proposta de lei federal.)

De momento, no entanto, ela limita-se a oferecer esta definição, que reconhece ser parcial: um jornalista de verdade é aquele que compreende, de maneira simples e sem se envergonhar, a relação de contestação entre o governo e a imprensa – justamente a tensão em que pensavam os fundadores do país quando criaram a Primeira Emenda. Aqueles que respondem integralmente a essa descrição merecem ser respeitados e protegidos – e não, marginalizados.

***

Margaret Sullivan é ombudsman (“public editor”) do New York Times

Transcrito do http://observatoriodaimprensa.com.br

Jampa Digital: na defesa de Ricardo, a emenda saiu pior que o soneto

Postado: 24-07-2013
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Reação de Ricardo desqualifica trabalho da PF

Reação de Ricardo desqualifica trabalho da PF

Por Wellington Farias - Eu sendo o governador Ricardo Coutinho não titubearia: demitiria, sumariamente, todos aqueles que lhe aconselharam tomar as atitudes que tomou para rebater as acusações envolvendo-o no escândalo do Jampa Digital, que tomou proporção nacional.

A estratégia de defesa surtiu efeito contrário. O chamado tiro pela culatra. Hoje, a imagem do Ricardo austero, sério – que já vinha sofrendo arranhões – desmoronou.

Ninguém acreditou em nada do que foi dito, até agora, em defesa do governador. Por que? Por causa da estratégia equivocada. Vejamos:

1) Se Ricardo não está mesmo indiciado e não tem nada a ver com o Escândalo Jampa Digital (o inquérito da Polícia Federal cita o nome dele), por quais cargas d’água se fez toda aquela defesa?

2) Alegou-se que a Globo (o escândalo foi detonado no Jornal Nacional) estaria agindo por influência dos adversários do governador. Alguém com o menor noção das coisas seria capaz de acreditar que o Jornal Nacional desce ao muro baixo (ou está preocupado) com a politicalha da Paraíba? Tenha dó!

3) Outra péssima ideia foi o governador, na pressa de limpar a sua barra, direta ou indiretamente tentar desqualificar o inquérito feito pela Polícia Federal. Gente, a PF é, hoje, uma das instituições de maior credibilidade no Brasil, ao lado do Ministério Público.

4) A orquestração em que se configurou a defesa do governador Ricardo Coutinho, por si só, tem um efeito contrário: ora, se orquestram pra convencer o povo é sinal de que ai tem coisa…

5) Os argumentos, as reações e os esperneios, são 0s mesmos aos de todos aqueles envolvidos em maracutaias. Quem acompanhou os desdobramentos dos fatos teve a sensação de que estava revendo o famoso Mensalão: todo mundo é inocente, todo mundo manda abrir conta bancária, ninguém sabe, ninguém viu; foi equivoco da polícia etc etc etc. No final, todos condenados pelo Supremo…

6) Aquela de Ricardo Coutinho no programa de Rádio Tabajara, com um jornalista levantando a bola o tempo todo para ele chutar… Gente, é muita falta de competência de quem tenta convencer o povo com aquele circo! Aquilo causa um tremendo efeito contrário. Além, claro, de uma gargalhada estadual.

7) Essa de governador encurralado pelos fatos tentar se safar das acusações processando jornalistas para imtimidá-los e acusando imprensa, é um filme bastante conhecido na Paraíba. Não cola…

8) O que Ricardo deve fazer é o seguinte: apostar em que o inquérito da Polícia Federal é coisa séria e deve ir até o fim; e dizer que ao final de tudo apurado, irá provar que é totalmente inocente. Se em vez disso tentar desqualificar a peça, só deixa claro que está envolvido até o gogó.

9) Em tempo: a Polícia Federal que hoje o governador desqualifica (direta ou indiretamente) é a mesma em que ele acreditava quando foi para prender Cicero Lucena…

Bíblia 1,5 mil anos traz revelações sobre Jesus que preocupa o Vaticano

Postado: 24-07-2013
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Bíblia com mais de 1,5 mil anos faz revelações contundentes

Bíblia com mais de 1,5 mil anos faz revelações contundentes

Uma Bíblia de mais de 1500 anos foi descoberta na Turquia e causa preocupação ao Vaticano. Isso porque a tal bíblia contém o evangelho de Barnabé, que teria sido um dos discípulos de Cristo que viajava com o apóstolo Paulo e descreve Jesus de maneira semelhante à pregada pela religião islâmica. O livro teria sido descoberto no ano 2000, e foi mantido em segredo na cidade de Antara. O livro, feito em couro tratado e escrito em um dialeto do aramaico, língua falada por Jesus, tem as páginas negras, por causa da ação do tempo. De acordo com as notícias; peritos avaliaram o livro e garantiram que o artefato é original.

Autoridades religiosas de Teerã insistem que o texto prova que Jesus nunca foi crucificado, não era o Filho de Deus, mas um profeta, e chama Paulo de “Enganador.” O livro também diz que Jesus ascendeu vivo ao céu, sem ter sido crucificado, e que Judas Iscariotes teria sido crucificado em seu lugar. Falaria ainda sobre o anúncio feito por Jesus da vinda do profeta Maomé, que fundaria o Islamismo 700 anos depois de Cristo. O texto prevê ainda a vinda do último messias islâmico, que ainda não aconteceu.

O Vaticano teria demonstrado preocupação com a descoberta do livro, e pediu às autoridades turcas que permitissem aos especialistas da Igreja Católica avaliar o livro e seu conteúdo.

Acredita-se que a igreja Católica durante o Concílio da Nicéia tenha feito a seleção dos Evangelhos que fariam parte da Bíblia, suprimindo alguns, dentre deles possivelmente o Evangelho de Barnabé. Há ainda a crença de que existiram muitos outros evangelhos, conhecidos como Evangelhos do Mar Morto.

Assista ao vídeo

Transcrito do blog http://dasculturas.com

Por onde andam os nossos ecologistas?

Postado: 12-07-2013
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Ecologistas chegam ao poder e se calam...

Ecologistas chegam ao poder e se calam…

Por onde andam os ecologista?! Antigamente, se você derrubasse um pé de coentro, os ecologistas vinham com um quente e dois fervendo, pra cima de você. Hoje, todos no poder, não fazem nada contra o desmatamento imoral na Paraíba. O Altiplano quase não tem mais área verde. Acabam com tudo, constroem prédios. Ninguem se mexe. João Pessoa não é mais uma referência de cidade verde. Por onde anda a Associação dos Amigos da Natureza? No poder?…

Cuidado com os tucanos e a Direita…

Postado: 08-07-2013
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Cuidado com os tucanos!

Cuidado com os tucanos!

Por Wellington Farias – Tenho sérias restrições ao projeto de poder do PT. Confesso que fiquei profundamente decepcionado com aquela quadrilha que foi montada no Governo Federal, com sede no Palácio do Planalto, sob o comando do então todo-poderoso Ministro José Dirceu. Aquilo foi uma imoralidade. Tão imoral como o Mensalão do PSDB (Minas Gerais) e do PFL, antecessor do DEM (em Brasília).

Muito mais medo, de fato, eu tenho do PSDB, a sigla tucana. Notem que essa tucanada não tem projeto para o Brasil. Todas as “soluções” que eles apresentam são só na direção de alfinetar o Governo do PT. Eles não têm propostas sérias e globais para o Brasil. E é um povo que está lo louco pra voltar ao poder pra se fazer… Tentam a todo custo macular a gestão da presidente Dilma, na tentativa de tomar o poder.

Sugiram que leiam o texto abaixo, da autoria do teólogo Leonardo Boff, um pensador acima das suspeitas e que não tem qualquer vínculo com o PT. Ai vai:

 

Leonardo Boff alerta contra a ação da direita

Leonardo Boff alerta contra a ação da direita

Leonardo Boff  (*) - “É notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças que sempre ocupou o poder de Estado e o tratou como propriedade privada (patrimonialismo), apoiada pela midia privada e familiar, estão se aproveitando das manifestações massivas nas ruas para manipular esta energia a seu favor. A estratégia e fazer sangrar mais e mais a Presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhes permite voltar ao lugar que por via democrática perderam.

Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT (e voltaremos ao tema), mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações politico-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam a ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.

Seria grande irresponsabilidade e vergonhosa traição de nossa parte, entregar à velha e apodrecida classe política aquilo que por dezenas de anos  temos construido, com tantas oposições: um novo sujeito histórico,  o PT e partidos populares, com a inserção  na sociedade de milhões de brasileiros. Esta classe se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente, pensa, temos chance de voltar e de colocar esse povo todo que reclama reformas, no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silenciamento. Aí não incomoda nem cria caos na ordem que por séculos construimos mas que, se bem olhrmos, é ordem na desordem ético-social.

Esta pretensão se liga a algo anterior e que fez história. É sabido que com a vitória do capitalismo sobre o socialismo estatal  do Leste europeu em 1989, o Presidente Reagan e a primeira ministra Tatscher inauguraram uma campanha mundial de desmoralização do Estado, tido como ineficiente e da política como empecilho aos negócios das grandes corporações globalizadas e à lógica da acumulação capitalista. Com isso visava-se a chegar ao Estado mínimo, debilitar a sociedade civil e abrir amplo espaço às privatizações e ao domínio do mercado, até conseguir a passagem de uma sociedade com mercado para uma sociedade de puro mercado no qual tudo, mas tudo mesmo, da religião ao sexo, vira mercadoria. E conseguiram. O Brasil sob a hegemonia do PSDB se alinhou ao que se achava o marco mais moderno e eficaz da política mundial. Protagonizou vasta privatização de bens públicos que foram maléficos ao interesse geral.

Que isso foi uma desgraça mundial se comprova pelo fosso abissal que se estabeleceu entre os poucos que dominam os capitais e as finanças e a grandes maiorias da humanidade. Sacrifica-se um povo inteiro como a Grécia, sem qualquer consideração, no altar do mercado e da voracidade dos bancos. O mesmo poderá acontecer com Portugal, com a Espanha e com a Itália.

A crise econômico-financeira de 2008 instaurada no coração dos países centrais que inventaram esta perversidade social, foi consequência deste tipo de opção política. Foram os Estados que tanto combateram que os salvaram da completa falência, produzida por suas medidas montadas sobre a mentira e a ganância (greed is good), como não se cansa de acusar o prêmio Nobel de economia Paul Krugman. Para ele, estes corifeus das finanças especulativas deveriam estar todos na cadeia como criminosos. Mas continuam aí faceiros e rindo.

Então, se devemos criticar  a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macro-economia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário, levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita desta crítica, não para melhorar a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgatar seu antigo poder político especialmente, aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantia seu enriquecimento fácil. Especialmente a mídia privada e familiar, cujos nomes não precisam ser citados, está empenhada fevorosamente neste empreitada de volta ao  velho status quo.

Por isso, as demonstrações devem continuar na rua contra as tramóias da direita. Precisam estar atentas a esta infiltração que visa a mudar o rumo das manifestações. Elas invocam a segurança pública e a ordem a ser estabelecida. Quem sabe, até sonham com a volta do braço armado para limpar as  ruas.

Dai, repetimos, cabe reforçar o governo de Dilma, cobrar-lhe, sim,  reformas políticas profundas, evitar a histórica conciliação entre as forças em tensão e o oposição para juntas novamente esvaziar o clamor das ruas e manterem um status quo que prolonga  benefíciois compartilhados.

Inteligentemente sugeriu o analista politico Jeferson Miolo em Carta Maior (07/7/2013):”Há uma grave urgência política no ar. A disputa real que se trava nesse momento é pelo destino da sétima economia mundial e pelo direcionamento de suas fantásticas riquezas para a orgia financeira neoliberal. Os atores da direita estão bem posicionados institucionalmente e politicamente…A possibilidade de reversão das tendências está nas ruas, se soubermos canalizar sua enorme energia mobilizadora. Por que não instalar em todas as cidades do país aulas públicas, espaços de deliberação pública e de participação direta para construir com o povo propostas sobre a realidade nacional, o plebiscito, o sistema político, a taxação das grandes fortunas e do capital, a progressividade tributária, a pluralidade dos meios de comunicação, aborto, união homoafetiva, sustentabilidade social, ambiental e cultural, reforma urbana, reforma republicana do Estado e tantas outras demandas históricas do povo brasileiro, para assim apoiar e influir nas políticas do governo Dilma”?

Desta forma se enfrentarão as articulações da direita e se poderá com mais força reclamar reformas políticas de base que vão na direção de atender a infra-estrutura reclamada pelo povo nas ruas: melhor educação, melhores hospitais públicos, melhor transporte coletivo e menos violência na cidade e no campo.

(*) Leonardo Boff não é filiado ao PT, é teólogo e escritor, da Comissão da Carta da Terra

Vontade de aprender está na origem do sucesso, diz estudiosa

Postado: 02-07-2013
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Mente humana

Mente humana

Carol S. Dweck: “O medo de ser rotulado como perdedor é típico da mentalidade fixa. Errar faz parte do processo que leva ao crescimento.” Veja a entrevista com a psicóloga sobre a mente humana, transcrita da revista Exame.com:

Por Anna Carolina Oliveira, da, da Você S/A – São Paulo – Nos últimos três anos, a psicóloga Carol S. Dweck, professora da Universidade Stanford, uma das mais importantes dos Estados Unidos, incluiu entre seus alunos crianças e adolescentes. Eles fazem parte do programa Brainology (cuja tradução seria algo como “Cerebrologia”), um projeto que visa ensinar os estudantes a encarar a atividade de aprender de uma maneira positiva, o que faria deles adultos mais realizados.

O trabalho com o público jovem é a reta final de uma produção acadêmica de mais de 20 anos, que já foi adotada por empresas como a Apple e citada por autores como Malcolm Gladwell. A pesquisa de Carol identifica dois tipos de comportamento: a mentalidade do crescimento e a mentalidade fixa.

Essas duas maneiras de pensar, diz Carol, determinam como as pessoas reagem diante de problemas: obstáculos, derrotas e críticas.

Quem tem a mentalidade fixa aceita os limites e tende a se desenvolver mais devagar. A mentalidade do crescimento permite ao indivíduo aprender com o episódio e preparar-se para ter sucesso da próxima vez. A seguir, Carol S. Dweck explica como funcionam as duas mentalidades.

VOCÊ S/A - Como e quando a senhora começou a estudar a mente humana? Como chegou à conclusão de que existem duas mentalidades? Por muitos anos eu estudei como o ser humano lida com o fracasso.

Carol S. Dweck - Eu me interessava em saber o porquê de algumas pessoas reagirem bem às derrotas.Algumas perdem o emprego ou terminam um relacionamento mas conseguem aprender algo com a experiência. Outras sentem que são destruídas e passam a se sentir incompetentes. As pessoas também se percebem de formas distintas. As de mentalidade mais fixa, quando falham, acham que não são inteligentes.

As que têm mentalidade de crescimento pensam quais habilidades podem ser desenvolvidas. Quando elas falham, obviamente, não ficam felizes, mas entendem que podem aprender com os erros e fazer melhor na próxima vez.

VOCÊ S/A – A senhora considera que a mentalidade fixa seja um fenômeno da nossa era, em que o indivíduo sente a necessidade constante de provar que é bom e não admite fracassar?

Carol S. Dweck - Esses dois tipos de mentalidade sempre existiram. Mas acredito que seja um fenômeno muito contemporâneo. Vivemos uma obsessão pelo sucesso, as pessoas querem sair pelo mundo e provar para os outros e para si mesmas que são boas. Ter medo de ser rotulado como um perdedor é algo típico da mentalidade fixa. Na verdade, errar faz parte do processo que leva ao crescimento.

VOCÊ S/A – No trabalho, é possível identificar profissionais que têm mentalidade fixa ou mentalidade do crescimento?

Carol S. Dweck - Claro. Agora, estou estudando empresas e fica claro que alguns profissionais têm mentalidade fixa. Eles geralmente acreditam que cada pessoa tem determinados talentos e que devem ser exibidos para provar sua inteligência, sua superioridade. As mesmas empresas também reúnem times com mentalidade de crescimento, que acreditam que o ser humano pode e deve aprimorar suas habilidades.

Uma companhia também pode estimular mais uma mentalidade do que a outra. Bônus exorbitantes ou intolerância ao erro costumam, por exemplo, contribuir para que existam mais mentalidades fixas.

VOCÊ S/A – A senhora afirma que as pessoas com mentalidade de crescimento estão sempre tentando melhorar, se desenvolver e crescer. No entanto, esse processo de desenvolvimento constante não seria de certa forma exaustivo?

Carol S. Dweck - Eu acho importante nos darmos conta de que ter uma mentalidade de crescimento significa que você pode ser melhor, mas não necessariamente que você tenha de ser o melhor a cada minuto e em cada área. Então, você precisa decidir em que vai colocar o seu esforço, quais serão seus objetivos e onde colocará sua energia.

VOCÊ S/A – Pelo seus estudos, é possível que uma pessoa mude de comportamento e passe de uma mentalidade fixa para uma de crescimento. Até que ponto essa transformação é possível?

Carol S. Dweck - Pesquisas mostram que mudanças são possíveis em todas as idades, e existem estudos provando que mesmo executivos com a mente fixa podem aprender a pensar de forma contrária. Essas pessoas precisam entender que há muitas evidências científicas provando a existência da mentalidade de crescimento.

Depois, elas podem analisar quais coisas em suas vidas contribuem para que tenham uma mentalidade fixa. Elas devem procurar indicativos que mostrem quais habilidades podem ser desenvolvidas. Devem tentar se lembrar de um momento de aprendizagem, de algo em que não eram tão boas mas em que, com algum esforço, conseguiram melhorar.

VOCÊ S/A – Uma pessoa que tenha mentalidade de crescimento pode se tornar fixa?

Carol S. Dweck - É possível em determinadas situações. Se um profissional está num ambiente ou numa organização que foca em quem é o gênio, em quem é o melhor de todos, é possível que, aos poucos, ele passe a ter uma mentalidade fixa. Nesses casos, sua cabeça passa a deixar o processo de aprendizagem de lado, visando apenas parecer o melhor.

VOCÊ S/A – De acordo com seu estudo, quem possui mente fixa enxerga o erro de forma diferente, como se fosse algo típico dos perdedores. Por que há essa percepção?

Carol S. Dweck - As pessoas que têm mentalidade fixa medem as coisas e acham que as habilidades são fixas, ou seja, que não é possível desenvolvê-las. Por isso, quando falham, entendem que são perdedoras, pois não puderam fazer melhor por falta de talento. E, para esse tipo de indivíduo, talento é uma coisa que ou você tem ou não tem. É como se o erro medisse suas habilidades. Essas pessoas também pensam que seu esforço mede suas habilidades. Portanto, se você tem de dar duro em algo, isso quer dizer que não é bom o suficiente.

VOCÊ S/A – Existe uma relação entre baixa autoestima e mentalidade fixa?

Carol S. Dweck - Não é que as pessoas com mentalidade fixa tenham baixa autoestima, e sim que sua autoestima é muito frágil. E, por isso, elas estão sempre na defensiva para, de certa forma, proteger essa autoestima.

VOCÊ S/A – Um líder normalmente possui qual mentalidade?

Carol S. Dweck - Eu acho que existem líderes com as duas mentalidades. Sim, existem os que pensam que, por serem o exemplo, nunca podem errar ou mostrar que não sabem algo. Eles pensam “eu tenho de parecer perfeito o tempo todo”. Mas muitos dos grandes líderes agiram de forma diferente.

Eles estavam sempre na posição de aprender, se relacionando com todos os níveis hierárquicos da empresa. Esse tipo admite quando está errado e realmente premia as pessoas por se arriscarem. Então, eu acho que sim, muitos líderes agem de acordo com a mente fixa, porém os grandes líderes são aqueles que possuem mente de crescimento.

VOCÊ S/A – A mentalidade fixa é mais comum em determinadas profissões?

Carol S. Dweck - Pode ser, sim, que cada mentalidade seja mais típica em determinadas profissões. Você espera que terapeutas e psiquiatras tenham a mente de crescimento, porque eles basicamente ajudam as pessoas a mudar. Já a mente fixa é mais comum na área de ciências exatas. Pessoas que lidam com números normalmente possuem uma mente mais fixa.

VOCÊ S/A – Como a mentalidade de crescimento pode tornar um profissional melhor?

Carol S. Dweck - Eu acho que, dentro de uma mente de crescimento, você nunca sabe do que é capaz, não tenta definir no que é bom e no que nunca vai ser bom. Profissionais com esse tipo de mentalidade realmente têm paixão, e isso os motiva a desenvolver novas habilidades.