Projeto de Nilda Gondim obriga livreiros a divulgarem obras brasileiras

Postado: 19-11-2012
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Deputada Nilda Gondim: projeto em favor da literatura nacional

A ampliação da divulgação de obras literárias brasileiras nas livrarias e outros postos de vendas de livros, inclusive nas páginas e sítios da Internet, deve se tornar obrigatória em todo o País. É este o objetivo do projeto de lei n° 4.668/23012, de autoria da deputada federal Nilda Gondim (PMDB-PB), apresentado ao Plenário da Câmara dos Deputados no dia 07 de novembro.
De acordo com a matéria, os livreiros devem ampliar a divulgação de obras literárias brasileiras destinando, para este fim, pelo menos 30% das vitrines externas e internas das livrarias, dos postos de vendas e das páginas e sítios na Internet utilizadas para o comércio de livros. O não cumprimento da obrigatoriedade sujeitará o infrator a multa de dez salários mínimos, valor que será aplicado em dobro nos casos de reincidência.

“A arte de ler é um dos bens mais preciosos que a pessoa adquire, tornando-a mais preparada, mais crítica e questionadora, pois o prazeroso hábito da leitura capacita quem lê a alcançar seus objetivos pessoais e profissionais, ampliando, consequentemente, os seus conhecimentos gerais e empíricos”, comentou a deputada Nilda Gondim ao defender o projeto de sua autoria.
Ela observou que, “mesmo com a crescente ascensão da informática e, junto com ela, do mundo virtual, os livros continuam sendo fonte primária do saber”, e citou uma frase proferida pelo magnata norteamericano Bill Gates, do mundo da informática, que disse textualmente o seguinte: “Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever, inclusive a sua própria história”.

Conforme ressaltou Nilda Gondim, a leitura é algo imprescindível para a aprendizagem do ser humano. “No Brasil, a Unesco recomendou uma livraria para cada dez mil pessoas, porém, temos 2,7 mil livrarias funcionando, ou seja, uma para cada 70 mil habitantes. Se considerarmos a nossa população, que ultrapassa os 190 milhões de habitantes, o número de livrarias deveria ser muito maior”, enfatizou.
A deputada peemedebista acrescentou que é preciso ampliar e incentivar o hábito da leitura das obras da literatura brasileira fora do ambiente das bibliotecas e das salas de aulas, onde muitos alunos leem por obrigação ou para cumprimento de grades relacionadas ao currículo escolar.

Conheça o diário da juventude de Charlotte Brontë

Postado: 13-11-2012
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Diário da Juventude de Charlotte Brontë

Este pequeno livro é um diário da Juventude de Charlotte Brontë, sob o pseudônimo de Currer Bell escreveu o seu romance mais conhecido: “Jane Eyre”.Foi leiloada por 691 mil libras na famosa casa Sotheby e foi adquirido pelo Museu Britânico que agora colocará em exposição.

Biografia
Charlotte Brontë (21 de Abril de 1816 — 31 de Março de 1855) foi uma escritora e poeta inglesa, a mais velha das três irmãs Brontë que chegaram à idade adulta e cujos romances são dos mais conhecidos da literatura inglesa. Escreveu o seu romance mais conhecido, “Jane Eyre” com o pseudónimo Currer Bel.

Charlotte nasceu em Thornton, no Yorkshire, em 1816, a terceira dos seis filhos nascidos de Maria Branwell e Patrick Brontë (cujo apelido anterior era Brunty ou Prunty), um pastor anglicano de origem irlandesa. Em 1820, a família mudou-se para uma aldeia a alguns quilómetros de Haworth, onde Patrick tinha sido nomeado coadjutor perpétuo na Igreja de São Miguel e Todos os Anjos. A mãe de Charlotte morreu de cancro no dia 15 de Setembro de 1821, deixando as suas cinco filhas e o filho aos cuidados da sua irmã, Elizabeth Branwell.

Em Agosto de 1824, Charlotte e as suas irmãs Emily, Maria e Elizabeth, foram enviadas para a escola de filhas do clero em Cowan Bridge, Lancashire, uma escola que descreveu em detalhe no seu romance “Jane Eyre” com o nome de Lowood School. Charlotte iria sempre afirmar que as fracas condições da escola afectaram permanentemente a sua saúde e desenvolvimento e apressaram a morte das suas irmãs mais velhas, Maria (nascida em 1814) e Elizabeth (nascida em 1815), que morreram de tuberculose em Junho de 1825. Pouco depois da morte das suas irmãs, o seu pai retirou as restantes filhas da escola.[2]
De regresso a casa, em Haworth Parsonage, uma pequena reitoria perto do cemitério de uma aldeia fria e ventosa nas colinas de Yorkshire, Charlotte passou a ser “uma amiga maternal e guardiã das suas irmãs mais novas”. Juntamente com os seus irmãos ainda vivos (Branwell, Emily e Anne), Charlotte começou a escrever sobre as vidas e lutas dos habitantes dos seus reinos imaginários. Charlotte e Branwell começaram a escrever histórias byronianas sobre um país que tinham invantado chamado Angria, ao mesmo tempo que Emily e Anne começaram a escrever artigos e poemas sobre Gondal, o país que também tinham inventado. As sagas (parte das quais ainda existe nos dias de hoje em forma de manuscrito) eram elaboradas e rebuscadas e instigou-as desde a infância e adolescência com um interesse quase obsessivo que as preparou para a sua vocação literária durante a idade adulta.
Charlotte continuou a sua educação em Roe Head, Mirfield, entre 1831 e 1832, onde conheceu as duas amigas com quem trocaria correspondência o resto da vida: Ellen Nussey e Mary Taylor.[3] Durante este período, Charlotte escreveu a novela “The Green Dwarf” em 1833 com o pseudónimo Wellesley. Charlotte regressou à escola, desta vez como professora, em 1835 e permaneceu nesta função até 1838. Em 1839, aceitou a primeira de muitas posições como governanta em várias famílias do Yorkshire, uma carreira que seguiu até 1841. Em termos políticos, Charlotte era conservadora, mas promovia a ideia de tolerância em vez de revolução. Tinha princípios morais muito fortes e, apesar da sua timidez, estava sempre pronta para defender os seus princípios.

Charlotte Brontë

Em Maio de 1846, Charlotte, Emily e Anne publicaram uma colecção de poemas em conjunto com os pseudónimos Currer, Ellis e Acton Bell. Apesar de terem vendido apenas duas cópias, as irmãs continuaram a escrever com o objectivo de verem os seus trabalhos publicados e começaram a desenvolver os seus primeiros romances. Charlotte utilizou o pseudónimo Currer Bell quando publicou os seus dois primeiros romances. Charlotte escreveu mais tarde sobre a razão pela qual tinham escolhido não revelar os seus nomes:

“Não gostávamos da ideia de chamar a atenção, por isso escondemos os nossos nomes por detrás dos de Currer, Ellis e Acton Bell. A escolha ambígua foi ditada por uma espécie de escrúpulo criterioso segundo o qual assumimos nomes cristãos, claramente masculinos, já que que não gostamos de nos declarar mulheres, uma vez que naquela altura suspeitávamos que a nossa maneira de escrever e o nosso pensamento não eram aqueles que se podem considerar ‘femininos’. Tínhamos a vaga impressão de que as escritoras são por vezes olhadas com preconceito e tínhamos reparado como os críticos por vezes as castigam com a arma da personalidade e as recompensam com lisonjas que, na verdade, não são elogios.”

De facto, os seus romances foram considerados vulgares pelos críticos.[6] Havia muita especulação quanto à identidade de Currer Bell e se este seria um homem ou uma mulher.
O irmão de Charlotte, Branwell, o único varão da família, morreu de bronquite crónica e debilidade extrema que tinha sido provocada pelo abuso de álcool, em Setembro de 1848, apesar de Charlotte acreditar que o irmão tinha morrido de tuberculose. Também se suspeitava que Branwell fosse viciado em ópio. Tanto Emily como Anne morreram de tuberculose em Dezembro de 1848 e em Maio de 1849.
Charlotte e o pai eram os únicos sobreviventes da família. Devido ao grande sucesso de “Jane Eyre”, Charlotte foi convencida pelo seu editor a visitar Londres ocasionalmente, onde a escritora acabaria por revelar a sua verdadeira identidade e começou a frequentar um circulo social mais movimentado, fazendo amizade com Harriet Martineau, Elizabeth Gaskell, William Makepeace Thackeray e G. H. Lewes. O seu romance tinha inspirado o início de um movimento feminista na literatura. A personagem principal, Jane Eyre, era o contrário da sua autora, uma mulher forte. Contudo, Charlotte nunca deixava Haworth mais do que algumas semanas, já que não queria deixar o seu pai idoso sozinho. A filha de Thackeray, a escritora Anne Isabella Thackeray Ritchie recordou uma visita que Charlotte fez ao seu pai:

“(…) entraram dois cavalheiros à frente de uma senhora pequena, delicada e séria, com cabelo loiro liso e olhos firmes. Teria pouco mais de trinta anos e usava um vestido barège com um padrão de verde-musgo esbatido. Entrou de luvas, em silêncio, séio e os nossos corações batiam loucos de antecipação. Era então esta a escritora, o poder desconhecido cujos livros puseram toda Londres a falar, a ler, a especular; algumas pessoas dizem até que foi o nosso pai quem escreveu os livros, aqueles livros maravilhosos (…). O momento é tão ofegante que o jantar chega com um alivio para a solenidade da ocasião e todos sorrimos quando o meu pai lhe oferece o braço (…), porque, apesar de ser um génio, Miss Brontë mal lhe chega ao cotovelo. A minha impressão pessoal é de que ela é um pouco séria e severa, especialmente para as meninas que querem conversar (…). Todos esperaram pela conversa brilhante que nunca chegou. Miss Brontë retirou-se para o sofá no escritório e murmurava uma palavra de vez em quando à nossa gentil governanta (…) a conversa começou a tornar-se cada vez mais indistinta, as senhoras à volta dela ainda estavam expectantes, o meu pai estava demasiado perturbado pela melancolia e pelo silêncio para conseguir lidar com o que estava a acontecer (…) depois de Miss Brontë se ter ido embora, fiquei surpreendida quando vi o meu pai a abrir a porta de entrada com o chapéu posto. Levou um dedo aos lábios e saiu para a escoridão, fechando a porta silenciosamente atrás de si (…) muito depois (…) Mrs. Procter perguntou-me se sabia o que tinha acontecido (…). Foi um dos serões mais aborrecidos que [Mrs. Procter] tinha passado em toda a sua vida (…) as senhoras que tinham vindo à espera de ter uma conversa agradável, e a melancolia, e o constrangimento, e como o meu pai, muito perturbado com a situação, tinha deixado a sala e a casa silenciosamente para ir para o seu clube”.

Em Junho de 1854, Charlotte casou-se com Arthur Bell Nicholls, o coadjutor do pai, e, segundo muitos intelectuais, a pessoa que inspirou personagens como Rochester e St. John em “Jane Eyre”. Ficou grávida pouco depois do casamento e a sua saúde começou a piorar rapidamente durante esta altura. Segundo Gaskell, o seu primeiro biógrafo, Charlotte sofria de “náuseas permanentes e desmaiava frequentemente.”[7] Charlotte morreu, juntamente com o filho que esperava, no dia 31 de Março de 1855, com trinta-e-oito anos de idade. A sua certidão de óbito diz que a causa de morte foi tuberculose, mas muitos biógrafos defendem que a escritora pode ter morrido de desidratação e subnutrição provocados pelos vómitos excessivos de que sofria. Também existem provas de que Charlotte pode ter morrido de febre tifóide que terá contraído de Tabitha Ackroyd, a criada mais antiga da família, que morreu pouco tempo antes dela. Charlotte foi enterrada na campa da família no cemitério da Igreja de São Miguel e Todos os Anjos em Haworth, West Yorkshire, Inglaterra.
“The Life of Charlotte Brontë”, uma biografia publicada por Gaskell após a sua morte, foi o primeiro de muitos trabalhos biográficos publicados sobre a sua vida. Apesar de ser honesto em algumas partes, Gaskell também escondeu pormenores sobre a paixão de Charlotte por Héger, um homem casado, por ser um escândalo para a moral da época e por poder ser um choque para os amigos e familiares de Charlotte ainda vivos, nomeadamente o seu pai e o seu marido.[8] Gaskell também dá informação duvidosa e pouco clara sobre Patrick Brontë afirmando, por exemplo, que ele não deixava os filhos comer carne. Esta afirmação é refutada nos diários de Emily Brontë nos quais a escritora descreve a preparação de carne e batatas para um jantar na paróquia, tal como a escritora Juliet Barker mostra na sua recente biografia intitulada “The Brontës”.
O seu primeiro romance foi publicado já depois da sua morte, em 1857, bem como fragmentos do romance no qual Charlotte tinha trabalhado durante os seus anos de vida que foi também recentemente publicado por Clare Boylan com o título “Emma Brown: A Novel from the Unfinished Manuscript by Charlotte Brontë” e muito material sobre Agria nas decadas que se seguiram.

Transcrito da enciclopedia virtual wikipedia.org

 

A História do Automóvel: A Evolução da Mobilidade

Postado: 24-10-2012
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Coleção sobre
automóvel

A caixa “A História do Automóvel: A Evolução da Mobilidade” reúne os três volumes da coleção que narra a trajetória dos carros desde a pré-história.

“A História do Automóvel” (Volume 1) inicia esse caminho na pré-história e termina em 1908. O segundo volume segue até a década de 1950. O último conclui a trilogia em 2000.

A série traz informações sobre os primeiros modelos produzidos, tipos de motor, rodas, potência, cores, velocidade e tecnologia envolvida e desenvolvida a cada novo modelo, com imagens de todas as épocas.

Nos livros, escritos por José Luiz Vieira, especialista em automóveis, o leitor acompanha a evolução, o impacto da indústria de massa no desenvolvimento e lançamento das marcas, a conquista e aceitação do grande público, as tendências de design e segurança.

“A História do Automóvel” (Volume 1) inicia esse caminho na pré-história e termina em 1908. O segundo volume segue até a década de 1950. O último conclui a trilogia em 2000.

A série traz informações sobre os primeiros modelos produzidos, tipos de motor, rodas, potência, cores, velocidade e tecnologia envolvida e desenvolvida a cada novo modelo, com imagens de todas as épocas.

Nos livros, escritos por José Luiz Vieira, especialista em automóveis, o leitor acompanha a evolução, o impacto da indústria de massa no desenvolvimento e lançamento das marcas, a conquista e aceitação do grande público, as tendências de design e segurança.

Título: Box: A História do Automóvel (3 Vols.)
Subtítulo: A Evolução da Mobilidade
Autor: José Luiz Vieira
Editora: Editora Alaúde
Edição: 1
Ano: 2010
Idioma: Português
Especificações: Capa dura | 1320 páginas
Ficha Técnica
ISBN: 978-85-7881-034-4
Peso: 6603g
Dimensões: 250mm x 180mm

Transcrito do site da Livraria Folha

Obra completa de Alfred Wallace é publicada na internet

Postado: 29-09-2012
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Apesar de ter apresentado ideias similares às da seleção natural, legado do naturalista vive à sombra do conterrâneo mais ilustre

Alfred Wallace.
Imagem: Ricardo Carvalho

O nome Alfred Russel Wallace (1823-1913) vive longe dos holofotes. Nos livros didáticos das escolas no Brasil, por exemplo, ele se acostumou a ser mencionado como aquele naturalista que, após um surto de febre tropical, enviou a Charles Darwin (1809-1882) a cópia de um ensaio contendo princípios e conclusões bastante similares às que o próprio Darwin vinha elaborando. Temendo deixar escapar a paternidade da teoria da seleção natural, Darwin teria antecipado a publicação das suas ideias. De acordo com os mesmo livros didáticos, aí terminaria — tão repentina e intensa quanto a febre contraída na Malásia — a relevância de Wallace para a ciência.

Mas não falta quem diga que o cientista mereça mais reconhecimento pela sua colaboração à história da biologia. “As contribuições originais de Wallace para a evolução e outros assuntos biológicos são geralmente negligenciadas”, afirma Viviane Arruda do Carmo, autora de uma tese de doutorado sobre o naturalista inglês apresentada na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) no ano passado. Ela lembra que Wallace, para além do episódio com seu bem mais famoso conterrâneo, tem uma extensa lista de obras sobre outros campos do conhecimento. Ele foi um dos pioneiros da biogeografia (ciência que busca explicar as variações encontradas em animais e plantas de acordo com a distribuição geográfica), estudou o uso das cores no reino animal e vegetal que catalogou em suas viagens dezenas de espécies não conhecidas à época, além de ter produzido material significativo para a geografia e geologia.

Na rede — Quem quiser saber mais sobre a vida e obra desse pesquisador inglês tem à sua disposição, desde a última quinta-feira, o domínio Wallace-online.org. A Universidade Nacional de Cingapura digitalizou toda a sua produção científica, num acervo online com 28.000 páginas de documentos históricos e 22.000 imagens, incluindo ensaios, ilustrações, mapas e relatos de viagens.

É possível ter acesso, por exemplo, aos escritos que Wallace redigiu sobre a sua viagem à região da floresta amazônica, entre 1848 e 1852. “Wallace Iniciou sua carreira como naturalista aqui no Brasil”, explica Viviane Arruda do Carmo. Na ocasião, a primeira grande viagem de exploração do naturalista, ele catalogou 110 gêneros de peixes na bacia amazônica, sendo que 35 não eram conhecidos. Além do mais, continua Viviane, Wallace foi o primeiro europeu a subir todo o Rio Negro e a realizar medições de latitude e longitude ao longo do curso d’água.

O Wallace Online é um projeto inspirado no Darwin Online, website da Universidade de Cambridge, na Inglaterra (por sinal, a instituição na qual Darwin realizou seus estudos no século 19). Por trás das duas iniciativas está o doutor John van Wyhe, especialista em história da ciência na Universidade Nacional de Cingapura. “Wallace sempre estará ligado a Darwin porque ele elaborou as mesmas respostas para a maior pergunta na natureza: de onde vêm as espécies? Elas descendem de formas mais antigas e diferentes”, diz van Wyhe ao site de VEJA. A compilação e digitalização da produção de Wallace foram custeadas por uma doação anônima proveniente dos Estados Unidos e chegam a tempo para as celebrações do centenário de morte do naturalista inglês, no ano que vem.

Darwin e Wallace – Alfred Wallace desenvolveu uma explicação para a evolução das espécies quando viveu no arquipélago malaio, viagem que durou oito anos. Em 1858, enquanto sofria de uma febre tropical, ele escreveu o ensaio On the tendency of varieties to depart indefinitely from the original type (“Sobre a tendência das variedades de se afastarem indefinidamente do tipo original”, em tradução livre). O texto continha um princípio geral da natureza, bastante similar ao que Charles Darwin vinha concebendo, segundo o qual apenas uma minoria melhor adaptada das espécies sobrevivera à luta por recursos. O novo site sobre o pesquisador exemplifica: “Por que, por exemplo, um inseto tem a mesma cor que as folhas onde costuma habitar? Porque muitos insetos com cores diferentes nasceram, mas aqueles que podiam ser facilmente identificados foram destruídos por seus predadores.”

Embora semelhante à ideia chamada por Darwin de “seleção natural”, as conclusões dos dois naturalistas foram alcançadas de forma independente, explica Viviane Arruda do Carmo. Wallace sabia que Darwin, na época um cientista mais velho e bastante respeitado, estava preparando um grande trabalho sobre evolução. Da Malásia, ele enviou uma cópia do seu ensaio pedindo que Darwin o analisasse. Este decidiu encaminhá-lo, junto com um resumo do que viria a ser A origem das espécies (publicado um ano depois), a uma prestigiosa academia de ciências de Londres. Os dois textos foram impressos como uma contribuição conjunta de Darwin e Wallace.

Isso não quer dizer, pondera Viviane, que se deveria reconhecer Wallace como coautor da teoria de seleção natural. “Não foi coautoria e não se pode dizer que Wallace tenha apresentado uma teoria sistematizada da evolução, como fez Darwin. Ele propôs, num ensaio, o mecanismo que foi batizado por Darwin de seleção natural.”

“Wallace sempre deixou claro que Darwin incluiu aspectos nos seus textos que ele não havia pensado.” Em 1889, alguns anos após a morte Darwin, Arthur Wallace publicou um livro intitulado Darwinismo. Nele, o autor organiza as ideias darwinianas — com algumas alterações e atualizações — três décadas após da publicação de A Origem das Espécies.

* * *

“Darwin e Wallace elaboraram as mesmas respostas para a maior pergunta da natureza”

John van Wyhe
Historiador e professor do departamento de Ciências Biológicas & História na Universidade Nacional de Cingapura. Fundador e diretor dos projetos Darwin online e Wallace online.


Qual a ligação das ideias de Alfred Wallace com as teorias de Charles Darwin?

Wallace sempre estará ligado a Darwin porque eles elaboraram as mesmas respostas para a maior pergunta na natureza: de onde vêm as espécies? Elas descendem de formas mais antigas e que eram diferentes. Darwin é mais conhecido porque foi o seu livro que convenceu a comunidade científica internacional que a evolução das espécies era um fato.

Qual foi o trabalho desenvolvido por Wallace no Brasil (1848-52)?

Wallace descobriu novas espécies na Amazônia e percebeu que, algumas vezes, rios muito grandes serviam de barreiras naturais para diferentes espécies.

Como você definiria a importância que Wallace teve para a história da ciência?

Wallace é um exemplo inspirador de como uma pessoa comum, sem vantagens de riqueza e privilégio, pode alcançar descobertas inovadoras por meio do trabalho duro e de um pensamento independente.

Transcrito de Veja Online

Livro: a fantástica história de Juana Inés de la Cruz, segundo Otavio Paz

Postado: 26-09-2012
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Poesia e silêncio

Numa obra maior, Octavio Paz traz do século
XVII a voz de sóror Juana Inés de la Cruz

Livro biográfico

Por Roberto Pompeu de Toledo (*)
Ela era bela e era freira. Inteligente e admirada. Ser bela e freira, eis uma combinação que intriga e encanta. Era requisitada e festejada, tinha amigos nos altos círculos e, além do mais, era poeta. Principalmente, era poeta. E não uma poeta qualquer, mas autora de uma obra que acabou por consagrá-la como um nome importante da literatura em língua espanhola. “Ouve-me com os olhos/já que estão tão distantes os ouvidos”, escreveu num poema a um amigo ausente. “Ouve-me surdo, pois me queixo muda.” Ela amava os paradoxos, os jogos com as palavras e os conceitos, e tinha um domínio de virtuose sobre o ritmo da frase. A personagem em questão é sóror Juana Inés de la Cruz, figura importante da literatura do México, onde nasceu e viveu entre 1648 e 1695. Três séculos depois, outra figura importante da literatura do México, o poeta e ensaísta Octavio Paz, falecido em abril último, ganhador do Prêmio Nobel em 1990, fez dela o tema de um livro publicado no original em 1981 e agora lançado no Brasil, Sóror Juana Inés de la Cruz — As Armadilhas da Fé (tradução de Wladir Dupont; Siciliano; 709 páginas; 56 reais).

Primeira recomendação é que o leitor se aproxime deste livro com a reverência devida a um monumento. Pois o livro é um monumento. Os dois somados, Octavio Paz e sóror Juana, ou fundidos, o que talvez seja mais apropriado dizer, o produto serve à maior glória de ambos — a Octavio Paz por revelá-lo como autor de uma prodigiosa façanha intelectual e a Juana Inés por focalizá-la sob uma luz que a atualiza e revigora. Segunda recomendação é que não se deixe perturbar pela tentativa de aprisioná-lo em algum gênero. Trata-se de uma biografia, mas também não se trata, tanto pelo que lhe falta quanto pelo que lhe sobra. Falta-lhe maior documentação sobre a vida de sóror Juana, indisponível talvez para sempre, para que seja verdadeiramente uma biografia. Sobram incursões em outras áreas, da história à crítica literária, para que possa ser considerado apenas uma biografia. O livro é biografia de uma personalidade literária, história do México, sociologia de um período, ensaio cultural sobre a era barroca, crítica literária que esquadrinha em minúcias o labor poético, mas sobretudo é o esforço de uma pessoa para decifrar outra, trazê-la perto e compreendê-la, por cima de uma distância de três séculos.

Não é esforço pequeno. O fosso de três séculos é um oceano de incompreensão. Do lado de lá há um mundo regido por uma política, uma economia e uma ciência diversas das nossas, e povoado por pessoas de outra mentalidade e outra circunstância. Octavio Paz, engenheiro do tempo, serve-se dos instrumentos da erudição, da inteligência e da sensibilidade, para construir uma ponte sobre os séculos. O resultado é um livro, esqueçam-se os gêneros, sobre um ser humano que viveu no século XVII e que — fator importante — era mulher. É também um diálogo entre um poeta (e uma pessoa) do século XX e uma poeta (e uma pessoa) do século XVII. Juana Inés pedia que a ouvissem surdos. Octavio Paz percebe que a voz da freira é “um dizer rodeado de silêncios”, limitado pelo “que não se pode dizer”. Paz apura os ouvidos. Seu propósito é dizer a seus leitores o que sóror Juana não pôde dizer aos dela.

Duas interrogações — Sóror Juana nasceu Juana Ramírez, filha natural de um pai que talvez nem tenha conhecido e uma mãe de família rural remediada. O quadro histórico era o da Nova Espanha — nome do México colonial —, da qual Paz, num desafio ao pensamento convencional mexicano, traça um perfil que equivale a uma reabilitação. Era, escreve, “um país enorme, próspero e pacífico”. Da menina Juana Inés sabe-se pouco. Amava os livros e a certa altura acalentou o projeto de vestir-se de homem para credenciar-se ao privilégio masculino que era freqüentar a universidade. Acabou num convento, o que configura a primeira das duas grandes interrogações de sua existência. Por que resolveu ser freira? Por que, sendo bela e evidenciando mais vocação para a vida social do que para a religiosa, se decidiu pelo convento? A segunda interrogação tem origem lá bem adiante, quando, escritora aclamada em todo o mundo hispânico, decide não mais escrever e entrega-se inteiramente à reserva da vida religiosa. Por quê? Em torno dessas duas interrogações, Octavio Paz constrói seu livro.

Juana Inés decidiu ser freira, conclui Paz, respondendo à primeira interrogação, porque o convento era o meio de que dispunha para executar seu projeto pessoal. E que projeto era esse? Estudar, aprender. Propocionar-se uma vida intelectual. Ou, como escreve Paz, “saber”. Muito se falou de supostas tendências “masculinas” em sóror Juana. Apontariam para essa direção desde o desejo de se fazer de homem para freqüentar a universidade até os poemas dedicados a amigas em que se faz de amante ardente. “Essa mulher é um homem de muita barba”, disse, já à época, um crítico espanhol. Em nosso tempo, Juana Inés tem sido presa fácil do oportunismo psicanalítico, que tenta explicá-la com base em supostas aflições sexuais. Octavio Paz joga a questão mais para o alto do corpo. Sóror Juana quis ser homem, sim, mas para realizar algo só aos homens reservado — a busca do saber. No mais, “se existe um temperamento feminino, no sentido mais arrebatador da palavra”, escreve, “esse é o de sóror Juana”.

A uma jovem como ela, naquele meio e naquele lugar, haveria dois caminhos: o casamento ou o convento. A opção do casamento seria a morte certa do projeto intelectual. Equivaleria à entrega da vontade a um dono e do tempo aos afazeres domésticos. A vida religiosa também apresentava inconvenientes. Se, para um homem, já seria difícil justificar um interesse muito maior pela literatura, a filosofia, a astronomia e a música do que pela teologia, e uma produção artística mais profana do que sagrada, que dizer de uma mulher? Mesmo assim, com jeito, lançando mão de suas naturais graças sociais e de uma desenvergonhada inclinação para a adulação dos poderosos, sóror Juana conseguiu garantir-se um espaço. Fez-se amiga de todos os vice-reis e vice-rainhas que a seu tempo governaram o México, em nome da Espanha. A proteção da corte contrabalançava a má vontade dos prelados eclesiásticos. Em sua cela, no convento de São Jerônimo, cuja rotina Octavio Paz descreve magnificamente, conseguiu mesmo juntar uma biblioteca considerável. Tudo parecia estar dando certo. A ponto de permitir-se, mesmo sendo freira, expressar sentimentos galantes como os contidos nestes versos, que aqui se transcrevem em espanhol mesmo, para não perder o viço: “Este amoroso tormiento/ que en mi corazón se vé,/ sé que lo siento, y no sé/ la causa porque lo siento”. Tudo ia tão bem e no entanto…

“Infinitos infernos” — No entanto, no início de 1693, sóror Juana renunciou às letras. Num documento, reconhece perante os superiores eclesiásticos que seus pecados “são enormes e sem igual” e se diz merecedora de “infinitos infernos”. O pecado foi a dedicação à literatura e ao estudo. Juana Inés humilha-se e anula-se. Tinha 44 anos, morreria dois anos depois. Por que fez isso? Sucessivos autores, principalmente católicos, referiram-se ao episódio como algo positivo. “Foi sua hora mais bela”, escreveu um. A decisão foi freqüentemente descrita como uma “conversão”. Foi mesmo? Octavio Paz, ao cabo de uma investigação em que soma talento de detetive a uma fina percepção das profundezas da alma humana, demonstra que não. Ao contrário, foi o momento de sua derrota, diante da intolerância de superiores religiosos que, tão desconfiados de sua independência quanto invejosos de seu prestígio, se aproveitaram de um momento de vulnerabilidade, quando não podia contar com o apoio dos amigos na corte, para exigir-lhe a rendição. Já há muito, esses superiores insistiam em que deixasse as letras em favor do recolhimento que a religião — e a condição de mulher — impunha. “A preeminência alcançada por sóror Juana ofendia muitos prelados”, escreve Paz; “todos eles eram seus superiores e quase todos se achavam teólogos, literatos e poetas. A freira encarnava uma exceção dupla e insuportável: a de seu sexo e de sua superioridade intelectual”.

Ser mulher, eis a fragilidade maior de Juana Inés. A vida inteira ela soube disso, e fez da defesa da mulher uma constante em sua obra. Um entre muitos exemplos é o poema em que fala dos “homens néscios que acusam a mulher sem razão”, e pergunta: “Quem tem a culpa, a que peca por uma paga/ ou o que paga para pecar?” Essa espécie de feminismo precursor dá um sopro de atualidade ao caso da freira mexicana. Num texto célebre, “Respuesta a sor Filotea de la Cruz”, redigido no auge de sua briga com os prelados, propôs, com audácia para a época, que se criassem escolas para mulheres, e argumentou: “Nem a tolice é exclusiva das mulheres nem a inteligência privilégio dos homens”.

Um dos perseguidores de Juana Inés foi o jesuíta Nuñes de Miranda, homem de tantas certezas que uma vez, diante das hesitações de um vice-rei quanto a uma determinada ação, escreveu-lhe: “Vossa Excelência faça o que lhe parecer melhor, mas eu bem sei que isso é o que deve fazer, e se não fizer irá sem remédio ao inferno, sem passar pelo purgatório”. Outro era o arcebispo da Cidade do México, Aguiar y Seijas, cuja misoginia o levava a propagar que, caso uma mulher entrasse em sua casa, mandaria trocar o piso. Paz descreve esses personagens com vigor de romancista. Juana Inés resistiu-lhes quanto pôde. O começo da derrota foi um texto em que, numa rara incursão pela teologia, criticou um sermão do padre Antônio Vieira — o nosso Vieira, glória da língua portuguesa, que, a partir de suas pregações nos púlpitos de Salvador e Lisboa, construiu uma reputação que se espalhou pelo mundo católico. Por que a teologia, por que Vieira? Octavio Paz dá a chave: “A teologia era a máscara da política”. Vieira era amigo de Aguiar y Seijas. Ora, ao atacá-lo, sóror Juana atacava Aguiar, o mais graduado de seus inimigos. Foi talvez uma aposta desesperada. Perdeu. Os inimigos apertaram o cerco. A freira sentiu-se só, teve medo — da excomunhão, da Inquisição — e depôs as armas. Num dos desdobramentos mais pungentes de sua rendição, entregou aos prelados sua biblioteca. A partir daí, levaria uma vida de isolamento e penitência.

Octavio Paz, engenheiro de pontes sobre os séculos, compara a perseguição e a indução à autocrítica de que foi vítima sóror Juana com práticas similares adotadas pelos regimes comunistas no século XX. Os dois casos, segundo ele, “unicamente se podem dar em sociedades fechadas, regidas por uma burocracia política e eclesiástica que governa em nome de uma ortodoxia”. Juana Inés seria um Galileu sem processo, um Giordano Bruno sem fogueira — ou ainda um dissidente soviético cuja Sibéria foi o silêncio de sua cela. Foi preciso passar pela experiência das tiranias ideológicas do século XX para compreender as tiranias ideológicas do século XVII. E quando se fala em “compreender”, acrescenta Paz, está-se falando em algo mais do que “entender”: “Compreender significa abraçar, no sentido físico e também no espiritual”. É o que ele faz. Com os braços estendidos sobre os séculos, o poeta do nosso tempo incerto abraça a freira silenciada pela ortodoxia opressora do tempo dela. Este é o sentido deste livro.

(*) Transcrito de Veja Online

Ines de la Cruz

Dados biográficos
Juana Inés de Asbaje y Ramírez de Santillana ou Juana de Asbaje (de Asuaje, segundo alguns), chamada de A Fénix da América e também de A Décima Musa. Escritora barroca nova-espanhola (mexicana), poetisa e dramaturga da segunda metade do século XVII. Nasceu em um povoado do vale do México, San Miguel Nepantla, próximo a Amecameca, e aprendeu náhuatl com seus vizinhos. Filha natural, sua mãe foi a “criolla” Isabel Ramírez de Santillana e seu pai Pedro Manuel de Asbaje y Vargas Machuca, militar espanhol da província basca de Guipúzcoa (Vergara). Descobriu a biblioteca de seu avô e assim tornou-se aficcionada pelos livros. Aprendeu tudo o que era conhecido em sua época, isto é, leu os clássicos gregos e romanos e a teologia do momento. Aprendeu português por conta própria, assim como latim, o que fez como autodidata em vinte lições. Como se sabe a partir dos dados que se mencionam em algumas de suas obras, o fez escutando as aulas que eram dadas à sua irmã, isto às escondidas. No entanto, também podemos saber disso por Marco Aurelio Almazán.

Quando adolescente, esteve na corte vice-real mexicana, e sobre esse tempo há muito poucos dados biográficos, ainda que se saiba que foi dama de companhia da vice-rainha Marquesa de Mancera. Quis entrar na Universidade e em algum momento passou pela sua cabeça vestir-se de homem, mas, no final das contas, concluiu que era menos disparatado tornar-se monja. Depois de uma tentativa fracassada com as Carmelitas, cuja regra era de uma rigidez extrema que a levou a um período de convalescência, ingressou na Ordem das Jerônimas, onde a disciplina era algo mais relaxada. Tinha uma cela de dois andares e governanta. Ali passou a sua vida, escrevendo versos sacros e profanos, canções a cada Natal, autos sacramentais e duas comédias de capa-e-espada. Também serviu como administradora do convento, com bastante habilidade.

Com a erudição acumulada durante anos de estudo, correspondia-se com os grandes nomes do mundo hispânico, tendo escrito até ao Papa. Sóror Juana escreveu literatura centrada na liberdade, o que era um prodígio naquela época. No seu poema Hombres Necios (“Homens Estúpidos”), ela defende o direito da mulher a ser respeitada como ser humano e critica o sexismo da sociedade do seu tempo, gozando dos homens que condenam a prostituição, ao mesmo tempo em que aproveitam a sua existência. Além de livros religiosos como a Bíblia, que representavam certamente mais de 90% dos livros que chegavam à América na época, há relatos de que ela possuía obras atípicas para um cidadão da América do século XVII, como escritos de Leibniz, dentre outros.

Seu confessor, o jesuíta Antonio Núñez de Miranda, recriminou-a por escrever, trabalho que acreditava ser vedado à mulher, o que, junto com o freqüente contato com as mais altas personalidades da época devido à sua grande fama intelectual, desencadeou a ira deste, diante da qual ela, sob a proteção da vice-rainha, Marquesa de Laguna, decidiu rejeitá-lo como confessor. Essa amizade com as vice-rainhas fica plasmada nos versos que, usando o código do amor cortês, levaram a uma intepretação errônea das mesmas a respeito de certas tendências homossexuais. Às duas que coincidiram temporalmente com ela escreveu poemas bastante inflamados e a uma dedicou um retrato e um anel. Foi precisamente uma das vice-rainhas a primeira a publicar poemas de Sóror Juana.

Sóror Juana viu-se envolvida em uma disputa teológica, a raiz de uma crítica privada que realizou sobre um sermão do muito conhecido pregador da época Antônio Vieira, que foi publicada pelo bispo de Puebla, Manuel Fernández de Santa Cruz, que a prefaciou sob o pseudônimo de “Sóror Filotea”, o que provocou a reação da poetisa através do escrito Respuesta a Sor Filotea (“Resposta a Sóror Filotea”), onde faz uma inflamada defesa do trabalho intelectual da mulher. Por esse valoroso texto e por outras obras suas como a acima mencionada Hombres Necios, Sóror Juana pode ainda ser considerada, com justiça, como a primeira feminista das Américas.

Pouco antes de sua morte, Sóror Juana foi obrigada por seu confessor a desfazer-se de sua biblioteca e de sua coleção de instrumentos musicais e científicos. Deve-se lembrar que, naquele tempo, a Santa Inquisição estava ativa. Morreu aos quarenta e três anos, durante uma epidemia, tendo, antes disso, chegado a socorrer várias de suas irmãs.

Entre suas obras se conta uma grande quantidade de poemas galantes, poemas de ocasião para presentes ou aniversários de seus amigos, poesias de salão sobre costumes ou amizades sugeridas por outros, letras para se cantar em diversas celebrações religiosas e duas comédias chamadas Amor es más Laberinto (“Amor é mais Confusão”) e Los Empeños de una Casa (“As Obrigações de uma Casa”).

Segundo ela, quase todo o seu escrito era por encomenda e a única coisa que escreveu por gosto próprio foi uma poesia filosófica chamada El Sueño (“O Sonho”), que muitas vezes se edita com o título de Primer Sueño (“Primeiro Sonho”). Trata-se de uma alegoria de várias centenas de linhas, em forma de poesia, acerca da ânsia de saber, o vôo do pensamento e a sua conseqüente queda trágica (acaso premonitório de Frankenstein). Sóror Juana também escreveu um tratado de música, chamado El Caracol (“O Caracol”), que está perdido. A despeito do que ela mesma disse, no entanto, seus escritos sobre a liberdade da mulher por certo não foram encomendados, mas tampouco devem ter sido por ela escritos por gosto, e sim, provavelmente, para defender sua própria posição social como intelectual livre.

O estudo de maior autoridade sobre Sóror Juana foi escrito por Octavio Paz, e se intitula Sor Juana Inés de la Cruz o las Trampas de la Fe (“Sóror Juana Inés de la Cruz ou as Armadilhas da Fé”), editado pelo Fondo de Cultura Económica.

A editora Porrúa publica as obras completas de Sóror Juana em um prático volume da coleção Sepan cuántos… (“Saibam quantos…”), o célebre número 100, despojado, sem aparato acadêmico, salvo por um sóbrio e breve estudo preliminar.

Barroca até a medula, Sóror Juana era muito dada a fazer trocadilhos, a verbalizar substantivos e a substantivar verbos, a acumular três adjetivos sobre um único substantivo e reparti-los por toda a oração, e ter todas essas liberdades gramaticais que estavam em moda no seu tempo. Por isso, e também porque ela gostava muito de fazer referências mitológicas que hoje em dia não pertencem à cultura geral das pessoas, a leitura de suas obras é bastante árdua para o cidadão comum. Dar uma lida em Metamorfoses, de Ovídio, será de muita utilidade para quem quiser desfrutar de Sóror Juana e ficar com menos dúvidas.

 

Transcrito da Wikipédia

Por que loja de livros usados se chama sebo?

Postado: 21-09-2012
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Por que sebo se chama sebo?

Por Sérgio Rodrigues
“Caro Sérgio, qual a origem da palavra sebo para designar loja de livros usados? Vi em uma reportagem sobre o tema que a palavra teria as seguintes prováveis origens: 1. Antes do advento da iluminação elétrica a leitura era auxiliada pelo uso de velas de onde escorria o sebo para os livros, tornando-os ensebados; 2. Derivaria das sílabas iniciais de ‘SEcond hand BOok’, termo, em inglês, para designar livro de segunda mão. Em rápida consulta na internet li, ainda, mais uma provável origem para o termo: teria relação com o fato de o livro ser manuseado constantemente, o que deixa os volumes engordurados, ‘ensebados’.” (Bruno Corrêa)

A menos que algum estudioso desencave um documento de época que nunca veio à luz, a consulta de Bruno não tem uma resposta definitiva, do tipo que se possa escrever na pedra. Sebo como sinônimo de alfarrábio, ou seja, loja de livros usados, é um brasileirismo que surgiu informalmente, a princípio como gíria, e sobre sua origem tudo o que há são especulações. Isso não nos impede de, por eliminação, chegar a uma resposta provavelmente correta, como veremos adiante.

Primeiro, vamos às eliminações.

A tese do SEcond-hand BOok me parece mais falsa do que promessa de candidato a vereador. Talvez fosse defensável se houvesse em inglês, mesmo que apenas num vilarejo esquecido do País de Gales, a palavra sebo com o mesmo sentido, mas não há. Seria necessário imaginar a existência em algum ponto da história de um estabelecimento comercial brasileiro, anglófono e com peso cultural suficiente para dar origem a uma acepção popular – e do qual, apesar dessa popularidade, não restasse registro algum. Na seara da etimologia fantasiosa, que agrada a tanta gente, prefiro a tese que deriva sebo das iniciais S.E.B.O., isto é, Suprimentos Econômicos para Bibliófilos Obsessivos. Soa melhor, não soa? O único problema é que acabo de inventá-la.

A história da velha vela de sebo que escorre sobre as páginas não chega a ser exatamente delirante, mas também reluto em comprá-la – mesmo a preço de sebo. O maior problema aqui é cronológico: tudo indica que a acepção livreira de sebo entrou em circulação em meados do século 20, quando a leitura à luz de velas já era história antiga.

Há quem cite ainda, para acrescentar à confusão uma tese não mencionada por Bruno, o caminho erudito que o etimologista brasileiro Silveira Bueno encontrou para explicar o sentido da palavra “sebenta”, que em Portugal é sinônimo de apostila, caderno de apontamentos das lições dadas em sala de aula. O estudioso foi buscar a origem do termo no português arcaico “assabentar”, isto é, instruir, o que é interessante. Mas Silveira Bueno em momento algum sugere que se recorra à etimologia de “sebenta” para explicar sebo. Além do fato de a primeira palavra ser portuguesa e a segunda, brasileira, apostilas usadas nunca foram itens característicos de tal tipo de comércio.

Resta de pé, assim, a hipótese mais simples: a de que essa acepção de sebo (do latim sebum, “gordura”) tenha surgido como metonímia brincalhona a partir da ideia irrefutável de que livros muito manuseados ficam ensebados, sujos, engordurados. Com poucas exceções, a simplicidade costuma ser um bom norte para quem navega no mar alto da etimologia. Essa tese eu compro sem susto – pelo menos até alguém descobrir num sebo um volume sebento no qual fique provado que S.E.B.O. não era uma ideia tão maluca, afinal.

Transcrito da coluna Sobre Palavras, de Sérgio Rodrigues
http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras

A trilogia que está bombando no mundo da literatura apimentada

Postado: 19-09-2012
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Trilogia que bomba

Sexo vende. Não é preciso se graduar em Publicidade para saber disso. A escritora E.L. James podia não ter isso em mente quando começou a desenvolver a trilogia Cinquenta Tons, mas com certeza ficou muito feliz com o resultado de sua empreitada. Cinquenta Tons de Cinza é um guilty pleasure em excelência. Aquela obra que você sabe que não é boa, que você sabe até que não devia estar lendo (afinal tem coisas melhores por aí), mas você acaba lendo. É quase como assitir os Kardashians.

É fácil perceber a gênese de Cinquenta Tons de Cinza. Criado inicialmente como um fanfic de Crepúsculo, Cinquenta Tons de Cinza (principalmente em suas primeiras páginas) bebe, e muito, na fonte de sua musa inspiradora. Então, a protagonista Anastasia é um tanto tímida e desajeitada (pelo menos no começo, depois essa característica meio que desaparece), e o galã Christian é misterioso, sedutor e podre de rico. As semelhanças com Crepúsculo continuam até o trecho que emula o momento em que Edward salva Bella de um grupo mal-encarado na saga de Stephanie Meyer. A partir daí, Cinquenta Tons de Cinza mostra um pouco mais de sua personalidade (ou seja, sexo), mas exagera um pouco.

Se E.L. James reconhecesse a vocação de Cinquenta Tons de Cinza de ser um guilty pleasure, e nada mais do que isso, o livro seria imperdível. Mas, como acontece muito por aí, a escritora tenta dar ao livro dimensões maiores do que ele realmente pode suportar, o que significa inflá-lo de páginas desnecessárias, conflitos poucos explorados e personagens pretensamente complexos, mas que não são bem desenvolvidos. O resultado é uma obra irregular. As primeiras cento e cinquenta páginas do livro são facilmente devoradas, mas depois a coisa fica meio claudicante, e o final é anticlímax, já que a maioria absoluta das questões levantadas por James não são respondidas. Fica claro que ela quer deixar pontas soltas para os próximos livros, mas isso acabando não dando a Cinquenta Tons de Cinza um ar de material bem acabado.

Se as páginas excedentes do livro ainda servissem para desenvolver melhor os personagens, tudo bem. Mas isso não acontece. Os personagens do livro não crescem ao longo da narrativa e tem problemas de construção graves. É o caso do amigo de Ana, José, que começa a trama quase como um estereótipo de latino soltando Dios Mio aqui e ali, mas logo é esquecido. Ou o próprio Christian que parece perfeito demais, e não o monstro cheio de problemas que Ana quer nos fazer acredita. Certo, o cara gosta de BDSM, mas não é avesso a relacionamentos ou ao amor, apenas o demonstra de outra forma. Ele é quem mais faz concessões no livro todo, do que a Ana tanto reclama?

Enfim, prejudicado por momentos desnecessários (a formatura, o voo de planador), Cinquenta Tons de Cinza deixa de responder perguntas que fariam de Christian um personagem mais interessante, como aquelas referentes a sua infância, a relação com os pais adotivos, esse tipo de coisa. Curiosamente, a personagem mais interessante da narrativa só aparece em citações: a mulher que iniciou Christian no BDSM, e que Ana chama de Mrs. Robinson. Ela também deve aparecer nos livros futuros, o que só deixa Cinquenta Tons de Cinza com mais cara de prévia.

E por fim, os trechos que relatam o sexo. Os trechos são descritivos ao extremo, e na grande maioria das vezes, E.L. James consegue criar o clima sensual que o momento pede. O excesso desses momentos, no entanto, tira um pouco o impacto das cenas realmente boas.

Quanto ao fato de algumas pessoas acharem que o livro fala sobre a submissão da mulher e como elas gostam mesmo é de um homem que mande nelas, acho bobagem. Na verdade, o grande mérito do livro é mostrar uma mulher sexualmente curiosa que não sente vergonha de seu corpo ou de seus impulsos sexuais. Afinal, no início do relacionamento, Ana não gosta ou ama Christian, está com ele porque quer transar e pronto. O amor e todo resto vem depois, mas no começo ela só quer dar, e está muito certa. Mostrar uma heroína que não tem medo de sexo, muito pelo contrário, anseia por ele, é a grande contribuição de Cinquenta Tons de Cinza para seu público.

Dito isso, Cinquenta Tons de Cinza cumpre seu papel, ainda que seu impacto vá sendo diluido lentamente em seu excesso de páginas e falta de confiança. Acaba sendo um guilty pleasure com gosto de couro.

Transcrito do Coolt – Cultura Pop

http://coolt.blog.br/site/

Há 55 anos, o Brasil perdeu seu ‘menino de engenho’, Zélins

Postado: 12-09-2012
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Zelins do Rego

“Não sou mau pagador. Se tenho, pago, mas se não tenho, não pago, e não perco o sono por isso. Afinal de contas, sou um homem como os outros. E Deus queira que assim continue.” A frase autobiográfica é de José Lins do Rego Cavalcanti, um dos maiores escritores e jornalistas brasileiros de todos os tempos. Se por um lado José Lins fazia questão de ressaltar a vida simples que levava, por outro a sua contribuição literária extrapolou o nível do comum. O autor escreveu mais de dez romances, além de crônicas e outros textos. A sua signficância histórica o levou a ser o Quarto Ocupante da Cadeira 25 na Academia Brasileira de Letras (ABL). Há exatos 55 anos, em 12 e setembro de 1957, o Brasil perdia o seu “menino de engenho”.

Nascido no Engenho Corredor, no município paraibano de Pilar, José Lins do Rego iniciou os estudos no Colégio de Itabaiana (PB), Desde os primeiros anos, já desenvolvia interesse pela literatura. Passou por Raul Pompéia e Machado de Assis, mas foi a influência regional do sertão nordestino e das suas origens ligadas à sofrida terra que daria o tom de suas obras. Depois de estudar na Faculdade de Direito de Recife; ser nomeado promotor em Manhuçu (MG) e passar uma temporada de estudos nos Estados Unidos acompanhado de Gilberto Freyre – autor do livro Casa Grande e Senzala – foi parar em Maceió. Na capital alagoana, onde teve contato com outros ícones da literatura, escreveu o seu primeiro livro: Menino de Engenho.

Menino de Engenho era apenas o início de sua carreira como escritor. Depois dele, José Lins publicou outras obras categorizadas nas divisões: Ciclo da cana-de-açúcar; Ciclo do cangaço; e obras independentes.  O resultado foi um legado histórico e social, em forma de romances, com destaque para a riqueza dos personagens escolhidos e a oralidade de sua linguagem.  Em 1935, o nordestino vai para o Rio de Janeiro, onde elege o Flamengo como time do coração. A capital fluminense seria então a sua nova casa e paixão, onde passa o resto da vida até falecer e ser enterrado no Cemitério São João Batista.

Você pode conferir outros detalhes e curiosidades sobre a vida e obra de José Lins do Rego na edição abaixo do programa De Lá Pra Cá, da TV Brasil. Participam das conversas os cineastas Vladimir Carvalho (dirigiu o documentário “O Engenho de Zé Lins”) e Walter Lima Junior (dirigiu o filme Menino de Engenho); o historiador Bernardo Buarque (autor do livro “O descobrimento do futebol: modernismo, regionalismo e paixão esportiva em José Lins do Rego”) e o professor e escritor Ivan Proença (pesquisador, crítico literário e doutor em Literatura Brasileira).

Anselmo Gois fala sobre José Lins do Rego: assista ao vídeo:

Transcrito do Facebook da Empresa Brasil de Comunicação

Jurista lança livros sobre direitos da homoafetividade e poesias

Postado: 10-09-2012
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Mariana Chaves

A jurista Marianna Chaves lançará dois livros, nesta quarta-feira (12.9), às 18h30, na Fundação Casa de José Américo. “Homoafetividade e Direito – Proteção Constitucional, Uniões, Casamentos e Parentalidade”, em sua segunda edição, atualizada após a decisão do julgamento do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu as uniões homoafetivas, é fruto da dissertação de mestrado em Ciências Jurídicas, apresentado pela autora na Universidade de Lisboa, e “Uma mente inquieta”, que reúne uma coletânea de poesias. O evento é promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, através da FCJA.

Com selo da Editora Juruá e distribuído em 374 páginas, o livro “Homoafetividade e Direito – Proteção Constitucional, Uniões, Casamentos e Parentalidade” aborda os estudos e pesquisas diretas no espaço europeu e latino-americano sobre o direito à regularização das uniões de homossexuais, examinando a possibilidade no Direito brasileiro de hoje, em virtude dos progressos no campo científico e do crescente reconhecimento do afeto como valor jurídico.

Dividido em três capítulos, o livro é fruto de amplas pesquisas e nele a autora envereda pelos pontos de vista da evolução histórica da homossexualidade, comentando as perspectivas religiosas, da medicina, genética, psicologia, psicanálise, dentre outros aspectos. Tendo como foco principal as jurisprudências brasileira e portuguesa, Marianna analisa ainda decisões em defesa da união estável entre parceiros do mesmo sexo, em diversos países.

Poesia – Enquanto Marianna se debruçava sobre uns textos de Direito, revela que começou a surgir um bloqueio para escrever sobre assuntos técnicos. De repente foi surpreendida com inspirações para a poesia, sem que antes tivesse manifestado qualquer tendência neste sentido. Em seis semanas escreveu 50 poemas, abordando uma diversidade de temas.

“Eclodiram hora após hora, dia após dia em um momento de extrema inquietude emocional e mental, daí o título do livro. Foram sendo colocados no papel rapidamente, numa espécie de tempestade sensorial…”, relembra. O livro com 81 páginas tem selo da Editora Livro Rápido.

Perfil – Marianna Chaves, poliglota, tem um vasto currículo, com ênfase em direito de família. Graduada em Direito pelo Unipê, é consultora jurídica e atualmente é doutoranda em Direito Civil pela Universidade de Coimbra. Mestre em Ciências Jurídicas pela Universidade de Lisboa, especialista em Ciências Jurídicas (Direito de Família, Contrato de Transporte e Direito Comercial Internacional) pela Universidade de Lisboa, pós-graduada em Filiação, Adoção e Proteção de Menores pela Universidade de Lisboa, pós-graduada em Direito da Bioética e da Medicina pela Associação Portuguesa de Direito Intelectual e Universidade de Lisboa.  É diretora do Núcleo de Relações Internacionais do IBDFAM – PB, vice-presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo da OAB-PB. Tem publicado artigos jurídicos em obras coletivas e revistas especializadas, no Brasil e no exterior.

Ana Maria Bahiana comenta o seu novo livro: Como Ver um Filme

Postado: 28-08-2012
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Livro de Ana Maria

Foram três anos escrevendo. Mas na verdade foi uma vida inteira de encontros com os sonhos alheios, da fatídica matinê de Bambi no Cine Pax de Ipanema, Rio de Janeiro (tive pesadelos durante várias semanas) ao mais recente BluRay que passou pela minha telinha (A Practical Guide to Belgrade With Singing and Crying, do sérvio Bojan Vuletic, meu voto no júri do recém-concluído SEEFest, festival do novo cinema do leste europeu).

Entre um e outro, tantos, tantos….. 2001 Uma Odisseia no Espaço no Roxy de Copacabana (fiquei tão desnorteada que tomei um tombo na saída); várias sessões enlouquecidas de Os Reis do Iê Iê Iê; Hatari!, de Howard Hawks (que me fez sonhar com a África…); uma cópia pirata (e preto e branco) de Blow Up, de Antonioni (proibido pela censura); hipnotizada por Dersu Uzala, de Kurosawa, no bom e velho Paissandu; Paris Texas, de Wim Wenders, sentada no chão do falecido Cine Ópera, onde certa noite também tentei, em vão, ver o documentário Gimme Shelter, dos irmãos Maysles (mas consegui apenas fugir da polícia).

E aqui, na usina do cinema e da TV, desde 1987, vendo em média dois filmes por semana – ou dois por dia, se estamos entre novembro e janeiro…- e perguntando a quem se dispõe a ouvir: Como é? Como se faz? Como é possível? Como se resolve? Como se realiza? Como se sonha?

Uma parte de tudo o que vi e aprendi está em Como Ver um Filme (Editora Nova Fronteira, 2012), neste momento nas boas casas do ramo e também em versão digital. Tenho um enorme débito de gratidão a um monte de gente: minha editora do coração, Cristiane Costa, de cuja inspiração saiu o conceito do livro; às Casas do Saber do Rio de Janeiro e de São Paulo, que acolheram a ideia quando ela ainda era um esboço; e a todos e cada um dos meus alunos e alunas, cujas ideias, perguntas, questionamentos e irresistível curiosidade e alegria contribuiram enormemente para o formato final de Como Ver um Filme.

Transcrito do blog da autora do livro – http://anamariabahiana.blogosfera.uol.com.br