A destruição do verde de João Pessoa

05-11-2013
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Rio Sanhauá

Rio Sanhauá

Por Wellington Farias – Ao visitar as obras do Centro de Convenções de João Pessoa, o que ali constatei me causou duas sensações bem distintas.

A primeira sensação, positiva: embora ainda na metade de sua construção, o Centro de Convenções Ronaldo Cunha Lima (que é a concretização de um sonho dos setores produtivos da Paraíba, há pelo menos 40 anos) é uma das obras mais imponentes e importantes que já se viu neste Estado. O turismo e a economia, sobretudo de João Pessoa, sofrerão um grande impulso quando aquele empreendimento estiver funcionando em sua plenitude. A obra, sendo pública, não é de um dono só: é dos paraibanos. Mas, como na Paraíba existe a cultura de oferecer um pai às obras, esta entrará para a história como “a grande obra do governador Ricardo Coutinho”. Estará na reduzidíssima lista das obras que fizeram a diferença, como o Anel do Brejo, o Hotel Tambaú, o Espaço Cultural, o Paraíba Pálace, grandes açudes e monumentais barragens, que são apenas algumas mais fáceis de lembrar.

A segunda sensação, negativa e muito preocupante: do mirante do Centro de Convenções, com altura calculada como equivalente a um prédio de 17 andares, e de onde se descortina uma paisagem de raríssima beleza da Grande João Pessoa, também se percebe a destruição acelerada do que até um passado recente já foi um cinturão-verde ao redor.

 

O progresso

O verde que circunda João Pessoa está cada vez mais escasso. O progresso avança a passos largos em detrimento do meio ambiente. O próprio Centro de Convenções, de indiscutível importância para a economia e o turismo do Estado, deu uma senhora abocanhada no verde. Antes desta, a mais notória e ambiciosa fatia do verde foi subtraída com a construção da Estação Ciência, esta muito mais bonita do que útil e cujo mérito maior parece ser o fato de ter a assinatura de Oscar Niemeyer.

 

De cima do mirante do Centro de Convenções, nota-se que João Pessoa e suas cidades satélites caminham para uma encruzilhada: ou optamos por ser uma região pujante econômica e turisticamente, ou ainda podemos preservar o pouquinho do verde que ainda nos resta. Conciliar a marcha do progresso com a preservação do meio ambiente é que não dá mais.

 

Só tem um detalhe: provavelmente João Pessoa terá pouco potencial para concorrer com as capitais no tocante à economia e ao turismo. No melhor de todas as hipóteses, estaremos no padrão da mesmice. Mas se preservarmos nossos recursos naturais, nosso meio ambiente, nosso verde, ai sim, faremos a diferença.

 

João Pessoa tem características bem peculiares que fazem a diferença desta linda cidade na comparação com as demais: a sua tranqüilidade, a paz, as suas praias, o seu verde e o fato de termos o privilégio geográfico que é O Ponto Mais Oriental das Américas. Mas tudo isso pode acabar se a tempo não forem tomadas providências; se não optarmos por um rigoroso desenvolvimento sustentável. Se é que será possível, na nossa situação, esse tal de desenvolvimento sustentável. Afinal, nos resta muito pouco…

 

Os ecologistas

O mais curioso nisso tudo é como de repente (não mais que de repente) os nossos ecologistas abandonaram o plantão, faz tempo. Por onda andam aquelas figuras conhecidíssimas que armavam o maior barraco quando alguém ousava derrubar um pé de coentro?

 

Ao que parece, estão todos muito bem aboletados nos cargos públicos, compensados em seus silêncios. Ninguém faz nada ninguém move uma só palha contra a ação devastadora que se devora o nosso meio ambiente. Estão todos caladinhos, com a língua na viola.

 

Na verdade estes ecologistas fizeram muito barulho em nome do marketing pessoal e com finalidades posteriores de galgar cargos públicos. Para eles, hoje bem contemplados em suas aspirações muito bem disfarçadas, a revolução já aconteceu; o planeta já está salvo e, portanto, pouco importa se a mata Atlântida some do mapa…

Pra resumir, não passam de uns espertalhões, que cinicamente usaram uma causa tão nobre para construir uma imagem falsa de defensores da natureza em benefício próprio.

 

E agora?

O que se pergunta é: poderá, agora, o secretário Ricardo Barbosa ser candidato nas eleições do próximo ano? Afinal, o TSE rejeitou o agravo de instrumento interposto pelo secretário do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado. Assim, manteve a decisão do TRE-PB que reprovou as suas contas de campanha. Ricardo Barbosa disputou em 2010 a eleição para deputado estadual. A decisão cabe recurso no Supremo Tribunal Federal.

 

O Portal Correio já antecipou: “Com a condenação ele (Ricardo Barbosa) fica inelegível por oitos anos. De acordo com a Lei da Ficha Limpa, após a decisão de um órgão colegiado, mesmo sem o processo ter transitado em julgado, o político fica inelegível. Barbosa pretende concorrer novamente a uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições de 2014, mas com a decisão deve ficar impedido de obter o registro de candidatura.

 

Barbosa teve as contas de campanha rejeitadas pelo TRE-PB porque ficou constatado irregularidade insanável devido a realização de gastos de campanha antes da abertura de conta bancária específica e recebimento de doações sem a correspondente emissão de recibos eleitorais.”

 

No sapato

O vice-governador da Paraíba, Rômulo Gouveia (PSD), ao que tudo indica, não quer ser pouquinha coisa em 2014. Está percorrendo os quatro cantos do Estado, visitando cidade por cidade. Ontem a assessoria do vice disse à coluna que Rômulo visita pelo menos dez cidades por semana. Às vezes mais.

OBS: Deixamos de creditar a foto porque não havia o nome do autor na internet, de onde a imagem foi copiada

 

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